quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Entre a nostalgia soviética e o novo patriotismo.


*Texto de Jean-Marie Chauvier para o Le Monde Diplomatique Brasil.

**Especial Rússia.

Entre a nostalgia soviética e o novo patriotismo

A nostalgia da URSS e sua reavaliação pela população é um fato, mas numa realidade que não permite mais um retorno ao ’sovietismo’.

A liquidação do sistema social soviético, as privações, o papel do dinheiro e as pressões do mundo globalizado atingiram um ponto em que não há mais volta.

Bandeiras vermelhas tremulam novamente nas celebrações oficiais da vitória sobre a Alemanha nazista.
Quem nunca viu, mesmo que no cinema, o monumento assinado por Vera Moukhina representando o operário e a camponesa kolkhoz lançando-se em direção ao futuro radiante empunhando a foice e o martelo1?
Instalado na entrada do parque de exposições em Moscou, ele acaba de ser desmontado. Talvez, não para ser posto de lado, mas para ser reformado. Bandeiras vermelhas tremulam novamente no 9 de maio, nas celebrações oficiais da vitória sobre a Alemanha nazista, como nos desfiles comunistas do 1º de maio e 7 de novembro 2.

O hino da URSS ressoa novamente3. Adolescentes exibem malhas com a inscrição “Minha pátria, a URSS”. Grupos de rock reciclam os “sucessos” soviéticos. A faixa de FM, em Moscou, repercute especialmente canções em língua russa. Cafés da moda e publicidades comerciais também estão cobertos de símbolos soviéticos, testemunhando assim uma “nostalgia” pós-moderna.
Essa volta do pêndulo teve início em meados dos anos 1990. Os filmes soviéticos passam novamente na televisão – “a pedido do público”, dizem as emissoras. Um editorialista se inquieta: o povo “o povo soviético” está sempre lá, a nostalgia aparece como “a dominante do humor local4”. As pesquisas de institutos considerados sérios confirmam: “57% dos russos querem a volta da URSS” (2001), 45% consideram o sistema soviético como “melhor” que o atual, 43% desejam mesmo “uma nova revolução bolchevique” (2003). As opiniões sobre o presente também se mostram pouco “corretas”: descrédito da “revolução democrática” de agosto de 19915 e rejeição em massa (quase 80%) das grandes privatizações “criminosas”.
Os democratas vituperam: amnésia (“eles esqueceram o gulag e as penúrias”), o ódio aos ricos “porque são ricos”, mediocridade de descrentes e dos velhos, “a biologia resolverá o problema”. Com Vladimir Putin, os acontecimentos políticos vieram confortar suas angústias: processos judiciais contra muitos dos grandes oligarcas por seus amigos e financiadores6, retomada do controle das grandes mídias pelo Kremlin, reabilitação da NKVD e da KGB7,
influência crescente dos “siloviki8” e do FSB (Serviço Federal da Segurança), desejo de restaurar a influência russa no espaço ex-soviético, críticas oficiais dirigidas aos Estados Unidos e sua penetração nesse espaço, oposição à guerra do Iraque. E isso, apesar da “aliança estratégica” selada pelo presidente Putin em Washington no dia seguinte ao 11 de setembro de 2001.
No entanto, esforços não foram poupados para erradicar o comunismo. Desde 1991, os russos estão submersos em arquivos, artigos, livros e programas de televisão que denunciam os “crimes bolcheviques”: terror vermelho sob Lênin e Trotski, “Grande terror” sob Stalin, fome de 1932-1933, gulag, deportação de povos “punidos” ou “suspeitos” de colaboração com a Alemanha nazista, repressões sob Brejnev.
A “batalha da memória” conjugada com a promoção dos “valores mercantis democratas” foi levada a termo, com entusiasmo, por grandes mídias, jornalistas, historiadores, respaldada por uma vasta rede ocidental e, sobretudo, americana, de instituições, universidades e fundações – Ford, Soros, Hoover, Heritage, Carnegie, USIS, USAID, sem falar dos filantropos oligarcas da Rússia9.

Revisionismo caricatural

A “batalha da memória” conjugada com a promoção dos “valores mercantis democratas” foi levada a termo
Os debates contraditórios da época Gorbatchev10 foram substituídos por acusações contra o “Império do Mal” em todas as suas encarnações. A virulência desse anticomunismo russo é de dar inveja aos cruzados ocidentais. É preciso, a cada momento da crise que ameaça o novo regime, agitar o espantalho do “retorno dos vermelhos” e da guerra civil. A condenação do “bolchevismo” leva à reabilitação de seus opositores, principalmente o movimento branco e as dissidências. Até algumas colaborações com os nazistas são “compreendidas”. É assim que o cronista do Izvestia Maxim Sokolov tenta explicar: “A época era complexa... (o Terceiro Reich) era o único bastião a proteger a Europa da barbárie bolchevique. Se tivesse vivido até hoje, o Reichsfüher SS (Himmler) seria provavelmente honrado como combatente contra o totalitarismo11”.
Esse revisionismo caricatural – que ignora os contextos reais, os períodos, os regimes, as sociedades e as culturas muito diversas da história soviética – é contestado por vários historiadores, mas não são eles que dão o tom. Muito mais amplamente difundidos são os best-sellers de Viktor Suvorov12. O mais recente, lançado no final de 2002, começa com a seguinte afirmação: “Todos os dirigentes soviéticos, sem exceção, foram crápulas e não valem nada”.
Um dos pioneiros do anticomunismo oficial, Alexandre Tsipko, considera contraprodutiva essa forma de denegrir. Seus efeitos desmoralizadores, combinados com as “reformas confiscatórias” que ele já lamentava em 1995, “prepararam o campo para uma reabilitação da história soviética” 13. Ele estava certo. Os ataques visam, além do “sistema”, os valores igualitários e coletivistas, comunitários, tanto russos tradicionais como soviéticos. Eles visam as “pessoas de baixo”, os operários que, ao mesmo que tempo que são desestabilizados na sua condição de vida, são estigmatizados como “cúmplices” do antigo regime, “ajudados”, “preguiçosos” e “inúteis” ao progresso industrial14.


Sentimentos contraditórios
Os debates da época Gorbatchev foram substituídos por acusações contra o “Império do Mal” em todas as suas encarnações
Apesar dessa avalanche, a Rússia ainda escapa do “pensamento único” sobre a URSS. Há ali experiências vividas em demasia, heranças culturais, memórias dilaceradas para permitir esse tipo de uniformidade. Os relatos de vida podem, numa mesma inspiração, trazer ecos caóticos de tempos extremados em que as fronteiras entre a fé cristalina, as alegrias positivas, a descida incompreendida e súbita aos infernos de um terror cego, eram móveis, imprevisíveis.
Uma testemunha maior do universo dos campos de concentração, Varlam Chalamov15 , evoca sua juventude agitada, a irradiação de Lênin e dos ideais da revolução (“quantos horizontes, quanta imensidade se ofereciam ao olhar de cada um, do homem mais comum”), nesse período soviético muito ambíguo dos anos 2016 . A voz do destino mais comum, ao deixar perceptíveis as razões da adesão popular àquele socialismo, se faz ouvir através do relato de Lioudmilla, filha de camponeses brutalizados pela deskulakização, mas que ultrapassa a fronteira dos mundos para vencer com esforço, na cidade, o caminho da promoção social17 .
Esse foi, realmente, o caminho de milhões de habitantes do mundo rural. Entre os camponeses, que viveram a guerra civil e permaneceram na aldeia depois da “grande ruptura” da coletivização, outros relatos de vida foram coletados a tempo18 , no início dos anos 1990, quando a palavra foi liberta antes de ser “reformatada” pela ideologia anticomunista dominante.
“Luminosos” anos 60
Há experiências vividas em demasia, heranças culturais, memórias dilaceradas para permitir um pensamento único.
Um dos problemas da memória “reconstruída” nesse novo contexto é a arregimentação de vítimas e mártires a serviço de uma ideologia “antitotalitária” formulada a posteriori. Pois, entre eles havia muitos comunistas e opositores da esquerda trotskista19 - pessoas que, voltando ao campo, não deixaram de crer e de servir ao “socialismo” ao qual, hoje, se pretende que elas reneguem. Quem fala, e com qual direito, em nome dos mortos?
Mas a maior parte dos ex-soviéticos ainda vivos não conheceu os tempos piores. Evocam os quarenta anos vividos depois da guerra e da morte de Stalin. Um artista se lembra da atmosfera doa nos 1960: “Eu idealizo, talvez, mas havia na época um entusiasmo otimista no país. Não falo de política, mas do clima moral das pessoas que me cercavam. O impulso dado pelos Beatles revelou a aspiração ao amor, que teve seu auge com o movimento hippie. Era um tempo luminoso que me ensinou a viver olhando o futuro com otimismo”. Choque e conivência com referências imprevisíveis: uma em compasso com os ideais oficiais (“o futuro com otimismo”), a outra com uma cultura não-conformista (os Beatles).
A confiança nas perspectivas de um país em pleno arranque, onde ninguém tinha medo do dia seguinte, coexistia com o apoliticismo e as tentações de uma cultura alternativa. Outros, contestadores do regime de Brejnev, sentem falta do tempo em que se refazia o mundo nas cozinhas. “O futuro ainda não tinha acontecido” – e ele seria, sabemos, bem decepcionante. Quantos dentre eles, depois de 1991, retiraram-se da cena, doentes, deprimidos ou mortos de tristeza ao ver o que produziu a mudança tão esperada?
Separação dolorosa
A maioria dos ex-soviéticos ainda vivos não conheceu os tempos piores e evocam os anos 60.
“Os novos chefes não dão crédito aos chestidisiatniki, as pessoas dos anos 1960”, conta Vassili Jouravliov, “porque esses são para eles uma reprovação viva”. Pois foi sobre suas costas que os oligarcas e outros homens de negócios alçaram-se ao poder20 ”. Antigos jovens – que não eram nem militantes, nem contestadores, nem intelectuais ou quadros do partido, mas simplesmente ávidos de viver plenamente – haviam deixado o conforto urbano pelas “grandes construções” dos anos 1950-1980, por romantismo ou atraídos pela recompensa. A construção da “cidade de sábios” em Novossibirski, as grandes centrais sobre os rios siberianos, os complexos industriais de Togliatti e em Kama, o segundo transiberiano, o BAM, deixaram neles, quase sempre, lembranças de uma juventude intensa, apesar do sentimento comum hoje ser de imenso desperdício.
Outros voltaram marcados de uma aventura abominável: a guerra do Afeganistão, da qual os mutilados, de mais ou menos 40 anos, falam nas ruas e no metrô. E a geração jovem “retornada da Chechenia”, outra abominação, já toma o seu lugar. Porém, a maioria não participou de engajamentos tão fortes. Viveu, simplesmente, imersa em um modo de vida, de relações sociais, em uma cultura da qual separou-se com dor. Nascido em 1961, o escritor ucraniano Andreï Kourkov fala, a seu modo, de algo que não era raro: “Essa sociedade era fundada na amizade. Era possível bater na porta dos vizinhos, se precisasse de dinheiro, eles o emprestariam. Depois da queda, toda essa solidariedade ruiu (...) As pessoas que nasceram logo depois da queda, que têm 20 anos, adaptam-se muito rápido. Para a minha geração, a solidão é a doença da época. Perdi muitos amigos. Muitos suicidaram-se, outros emigraram21 ”.
Lembrança de relações de convivência, ou vivacidade de uma cultural social ainda perceptível nas resistências à liberalização? A estudiosa Lioudmila Boulavka relata testemunhos dos meios operários comprometidos nos recentes movimentos de protesto: os militantes julgam com severidade suas próprias ilusões dos anos 1989-1991 (o apoio aos democratas), sentem uma perda dolorosa com o final da URSS, não aceitam que os patrões façam a lei sem consultá-los, querem crer ainda que “o Estado, somos nós”, permanecem ligados a uma cultura de consenso e de paternalismo social 22.
Vozes da reabilitação
Os operários comprometidos nos recentes movimentos de protesto sentem uma perda dolorosa com o final da URSS.
Todo um continente de conhecimentos falta aos ocidentais para que eles compreendam o que é essa “perda” tão sentida: o universo de uma cultura, a densidade de uma vida social que não podem ser enquadrados com nenhuma ideologia. Onde classificar, nas suas gavetinhas, tanto a vanguarda quanto a cultura popular de massa que marcou gerações, as comédias musicais de Alexandrov e o jazz de Utesov, o humor de Ilf e Petrov, as aventuras do soldado Vassili Tiorkine, os personagens “aos pares” do cinema de Vassili Choukchine, a arte amadora dos clubes de fábricas e vasto movimento das canções de compositores, a “contestação” de massa mais importante nos anos 1960-1980? Onde situar a recente decisão dos bardos não-conformistas de todas as idades de consagrarem como “canção do século” a balada “Grenada” de Mikhaïl Svetlov, “poeta do Komsomol” dos anos 1920? Será possível transmitir mensagens dessa Atlântida que realmente existiu?
Uma pesquisa realizada com o concurso da fundação alemã Friedrich Ebert, e dirigida por Mikhail Gorchkov23 , mostra a que ponto a “reabilitação da URSS” procede de uma reflexão amadurecida, sem estereótipos. Ela revela o fracasso do poder e das mídias na sua tentativa de apresentar os setenta anos soviéticos como um “pesadelo”, estimando, até, que a pressão exercida nesse sentido esgotou seus efeitos. As avaliações diferem, contudo, segundo os períodos propostos e a idade das pessoas que respondem à pesquisa.
“Os crimes do stalinismo não podem ser de forma alguma justificados” – é o ponto de vista de 75,6 % entre 16-24 anos; de 73,5% de 25-35 anos; de 74% de 36-45 anos; de 66,8% dos 46-55 anos; de 53,1% dos 56-65 anos. “As idéias marxistas eram justas”: as respostas positivas variam, dos mais jovens aos mais velhos, de 27,4% a 50,3%. “A democracia ocidental, o individualismo e o liberalismo são valores que não convêm aos russos”: esta opinião e aprovada por 62,9% dos 56-65 anos, mas apenas 24,4 % dos 16-24 anos. Entre as “razões de orgulho”, cerca de 80 %, em todas as categorias de idade, citam a vitória de 1945. Quem tem mais de 35 anos escolhe em segundo lugar a reconstrução do pós-guerra, os mais jovens (16-35) citam “os grandes poetas russos, os escritores, os compositores”. Em média, 60% citam as explorações das viagens espaciais. A afirmação segundo a qual “a URSS foi o primeiro Estado de toda a história da Rússia a assegurar a justiça social para as pessoas simples” é escolhida pela maioria das pessoas com mais de 35 anos, 42,3 % entre 25-35 anos, e apenas 31,3 % entre 16-24 anos.
Herança pesada das “reformas”
Pesquisa revela o fracasso do poder e das mídias na tentativa de apresentar os 70 anos soviéticos como um “pesadelo”.
Entre as características dos diferentes períodos, a maioria dos participantes designa principalmente: o período do Stalin seria a era da disciplina e da ordem, do medo, dos ideais, do amor à pátria, de um desenvolvimento econômico rápido; o período do Brejnev: proteção social, satisfação, sucesso na ciência e na técnica, ensino, confiança entre as pessoas; e o período atual: criminalidade, incerteza do futuro, conflitos entre nações, possibilidade de enriquecer, crise e injustiça social. As pessoas de opinião liberal concordam com um balanço positivo da era Brejnev (25%), entre os comunistas (45,9%); com um balanço negativo da era Yeltsin (21%), entre os comunistas (59%).
Quanto ao futuro, uma ampla maioria pronuncia-se a favor de uma gestão estatal dos grandes setores da economia, do ensino e da saúde; só reconhecem o valor da gestão mista (com o setor privado) nos campos da alimentação, da moradia e das mídias. Uma maioria (54%) “escolheu uma sociedade de igualdade social” e definiu como o principal caráter da democracia “a igualdade dos cidadãos diante da lei”.
Evolutiva, a visão do passado é, portanto, filtrada pela experiência de “reformas de mercado”, cujo caráter desastroso é, entretanto, amplamente reconhecido. A primeira inspiradora dessas reformas, a socióloga Tatiana Zaslavskaïa24 , estima que os trabalhadores são “ainda mais alienados da propriedade e privados de direitos do que na época soviética. (...) A produção não está apenas reduzida, mas degradada do ponto de vista estrutural e tecnológico. (...) Setores que asseguravam as necessidades sociais na época soviética e aumentavam, ainda que modestamente, a qualidade de vida da população, hoje se degradam cada vez mais. As conquistas democráticas da época da perestroïka e da glasnost estão em perigo. (...) A polarização da sociedade tomou um vulto colossal: de 20 a 30% da população vivem sérias privações, habitam moradias em ruínas, têm fome, são doentes e morrem prematuramente”.
Universo plural
Evolutiva, a visão do passado é filtrada pela experiência de “reformas de mercado”, cujo caráter desastroso é reconhecido.
O economista liberal Grigori Iavlinski fala de “desmodernização” da Rússia, o ecologista Oleg Ianitskii de “sociedade de todos os riscos”. “Vivíamos atrás da cortina de ferro”, explica o historiador Viktor Danilov. “Ignorando as realidades exteriores, acreditávamos viver na miséria do nivelamento. Agora que a cortina de ferro caiu (...) sofremos a provação da verdadeira miséria. Sabemos, hoje, que na época soviética, não vivíamos na miséria, mas numa “suficiência” nivelada, ainda que baixa. O sistema de saúde e de ensino era acessível a todos apesar dos privilégios dos ‘servidores do povo’ As filas existiam para que cada um pudesse ter o necessário, o que não é mais acessível, hoje, para a maioria”.
Segundo Danilov, para muitos, “sem dúvida abriram-se as portas para o mundo externo, mas portas blindadas foram postas entre as pessoas”. Nunca a “atomização” atingira um tal grau. Além dessas tristes constatações, não faltam, na Rússia, reflexões interessantes sobre o passado, o futuro e as possibilidades de desenvolvimento. Mas esse universo muito plural do pensamento russo é ignorado pelo Ocidente, onde só se repercutem os pontos de vista liberais ocidentalistas.
O patriotismo refigurado nutre-se, no entanto, do ressentimento da decadência, da miséria, da nova “imagem do inimigo” – o “terrorista” árabe-muçulmano – criado em conjunto com o Ocidente civilizado com o qual identifica-se. O clima não é mais de “anti-imperialismo”, mas de xenofobia “petit blanc25 ” em relação a povos ainda mais desfavorecidos, o Sul ameaçador. É paradoxal: muitos lamentam, ao mesmo tempo, a falta do espírito de amizade que reinava nas comunidades multinacionais soviéticas de operários e estudantes e deploram a criação de novas fronteiras, os entraves políticos e financeiros que afetam a liberdade de viajar, as famílias e os amigos que se deslocaram. Aceita-se o massacre dos chechenos ao sabor do filme cult dos anos 1930, Le Cirque, no qual o ator judeu Salomon Mikhoels, assassinado por Stalin, canta uma canção de ninar yiddish a uma criança negra arrancada das garras do racismo americano!



Caminho sem volta
O patriotismo refigurado nutre-se do ressentimento da decadência, da miséria, da nova “imagem do inimigo”.


A nostalgia da URSS e sua reavaliação pela população não se confundem com seus diferentes usos políticos. A realidade exclui um “retorno ao sovietismo”: a liquidação do sistema social soviético, as privações, o papel do dinheiro e as pressões do mundo exterior “globalizado” atingiram um ponto em que não há mais volta. E, se as tradições de potência, burocráticas e policiais, foram reativadas por necessidades internas do poder e do controle do petróleo, o mesmo se dá no contexto internacional no qual o exemplo da militarização, da cultura securitária é estadunidense, venerado pelos novos russos.
Entre as “reabilitações”, o presidente Putin não esqueceu Pedro, o Grande, o reformador liberal autoritário Piotr Stoypine, sob Nicolau II, nem a muito atual Igreja Ortodoxa. O Kremlin tem como emblema a águia imperial bicéfala coroada. O ídolo da nova burguesia é um veado de ouro, verde como o dólar.
Quando ao casal de Vera Moukhina, empunhando ainda as ferramentas do comunismo, a novidade da sua reforma não deve assustar os liberais: quando eles estiverem novamente em pé, orgulhosos e petrificados no seu entusiasmo pelo futuro do passado, o operário e a camponesa kolkosiana deverão ser postos em um pedestal ainda maior, digno dos novos tempos. Diante de um shopping center.
(Trad.: Teresa Van Acker)


1 - A imagem do casal comunista aparecia na primeira tela dos filmes dos estúdios Mosfilm.
2 - Aniversário da “Grande Revolução Socialista de Outubro de 1917”
3 - Sobre a música de Boris Alexandrov, o hino que substituiu a Internacional e foi abandonada pela URSS em 1991, foi restabelecido pelo Duma em 8 de dezembro de 2000, com uma nova letra “patriótica” composta por Serguei Mikhalkov, que já havia escrito a do hino soviético.
4 - Andréi Koslesnikov, Izvestia, Moscou, 5 de junho e 14 de agosto de 2001. 5 - 48% dos russos vêm no fracassado golpe militar conservador e no golpe de Estado bem-sucedido de Boris Yetsin apenas um “episódio da luta pelo poder”, 31% classificam os fatos como“acontecimentos trágicos”, 10% somente uma “vitória da democracia”.
5 - Seu segundo aniversário, em 2001, não foi celebrado.
6 - Os antigos magnatas Vladimir Goussinski (mídias), refugiado na Espanha, Boris Berezovski (automóvel, petróleo, mídias, finanças do Kremlin), “refugiado político” na Grã Bretanha, Mikhail Klodorkovski (petróleo Yukos), preso.
7 - O Comissariado do povo nos Negócios do Interior (NKVD) era a polícia política no período de Stalin. Foi substituído, em 1954, pelo Comitê de Segurança do Estado (KGB), e depois, perto do final da URSS, pelo Serviço Federal da Segurança (FSB).
8 - Esta denominação é dada a grupo de homens das forças armadas, das polícias e da informação.
9 - O partido liberal União das forças de direita e a Fundação Soros promoveram uma edição do Livro Negro do Comunismo, do francês Stéphane Courtois.
10 - Ler , URSS, une société em mouvement, L’Aube, La-Tour-d’Aigues, 1988.
11 - Izvestia, 26 de março de 2002. Falava da re-abilitação, na Ucrância, da divisão SS Galitchina 12 - Ten ’Pobedy, Moscou, 2002. 13 - Nezavíssimaïa Gazeta, Moscou, 9 de novembro de 1995 14 - Ler Karine Clément, Les Ouvriers russes dans la tourmente du marché, Syllepse, Paris, 2000. 15 - Ler Pierre Lepape, “ Le goulag selon Chalamov ”, Le Monde diplomatique, dezembro de 2003
16 - Les Années vingt, éditions Verdier (Paris), que também publicam integralmente os Récits de la Kolyma (2003).

sábado, 27 de dezembro de 2008

As faces do Sionismo.


* As Faces do Sionismo é um texto de Diego Viana Do Couto Pitta.
** A chamada sobre o Bombardeio Israelense foi retirada do portal terra.

Oriente Médio

Sábado, 27 de dezembro de 2008, 07h44 Bombardeio israelense mata ao menos 120 em Gaza
Pelo menos 120 pessoas morreram neste sábado devido ao bombardeio em massa do exército israelense na cidade de Gaza, informaram fontes médicas no território palestino, enquanto há várias centenas de feridos sob os escombros.



As faces do Sionismo.

O que mais Israel pretende massacrando o povo palestino, o sionismo mostra a sua face quando uma criança da palestina morre por causa das bombas israelenses em um conflito que parece não ter fim. A terra denominada santa por milênios se tornou palco de aspirações de cunho imperialistas e contra a autodeterminação e liberdade dos povos.O Sionismo surgiu em meados da década de 80 do século XIX, através dos escritos Theodor Herzl, um judeu de origem húngara, nasceu em Budapeste, seu livro "Der Judenstaat" ("O estado judaico"), foi líder do movimento sionista e defendia a criação do estado judeu, para que os judeus não sofressem mais com o anti-semitismo, sentimento visto por toda a Europa do século XIX, o mesmo movimento, procurava um Estado nacional independente.
O povo judeu era visto como um povo sem pátria, seguindo único exclusivamente pela sua herança e sentimentos culturais, assim como o povo Rom (ciganos), por esse fato era defendida uma criação de um estado por parte dos teóricos sionistas. O povo judeu sofria com o anti-semitismo, sendo essa afronta ao povo Judeu, vinda até de estadistas como o Czar russo Nicolau II entre outros espalhados pela Europa.

A escolha de Eretz Yisrael.

O movimento sionista foi ganhando espaço, entre os órgãos internacionais, que defendiam a criação de um novo estado com a auto-afirmação judaica.
A Palestina nesse momento da historia, final do século XIX e inicio do século XX presenciou um fenômeno incomum, pela primeira vez na historia dos movimentos nacionalistas, surgiu um fenômeno onde um povo reivindicava uma terra, do qual eles não estavam presentes, ou seja, o movimento sionista reivindicava a criação de um estado, porém a demografia desse território não tinha uma participação significante judaica.
A população da palestina no começo do século XX era composta por maioria árabe.
Em 1897 o primeiro Congresso Sionista proclamou que o novo estado deveria ser estabelecido em Eretz Yisrael, a antiga pátria judaica, até esse momento a região da Palestina fazia parte do Império Turco Otomano, com o decorrer das duas guerras mundiais, houve uma significativa imigração judaica para a Palestina até 1945. Com o resultado da primeira guerra mundial, o Império Otomano perdeu parte de seus territórios, pois perdeu a guerra, a Inglaterra, simpatizante da causa sionista e detentora do território da Palestina, assinou a chamada Declaração de Balfour, onde a potencia britânica se mostrou a favor da criação do Estado de Israel na região onde se encontrava a Palestina.


Com o decorrer da “solução final“, tomada por Hitler, governante da Alemanha de 1930 até 1945 que resultou na morte de seis milhões de judeus, aumentaram o fluxo de imigração dos Judeus na Palestina.Ao fim do mandato britânico era visível as hostilidades entre os povos de origem judaica e os árabes da região, fazendo com que a recente ONU ( Organização das Nações Unidas) fizesse a partilha da Palestina em dois estados, um judeu e outro árabe.
Quando o mandato britânico expirou, Israel declarou sua dependência como estado soberano. Israel declarou a Primeira Guerra árabe-israelense e logo depois mais três conflitos, a Guerra Do Suez (contra o Egito), a guerra dos Seis Dias e a Guerra de Yom Kippur. Através desses conflitos, a Palestina foi dividida entre Cisjordânia e a famosa Faixa de Gaza. Israel hoje cria aquilo que muitos abominaram na história da humanidade, o holocausto, condenam Hitler porém fazem igual ao povo palestino, matam mulheres e crianças, tratam os povos palestinos como cidadãos de segunda classe, essa é a face do preconceituoso Sionismo e imperialismo do século XXI.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

País reduz repetência, mas continua entre os piores, diz Unesco.


* Por Antônio Gois - Folha de São Paulo, no Rio / Fábio Takahashi - Folha de São Paulo
** Comentário - Diego Viana Do Couto Pitta.


O Brasil conseguiu reduzir a reprovação no ensino fundamental entre 1999 e 2005, mas a melhoria não tirou o país de uma situação incômoda: entre 150 nações comparadas num estudo que será divulgado pela Unesco hoje, apenas Nepal, Suriname e 12 países africanos têm repetência maior.
Segundo o relatório anual da entidade que monitora o grau de cumprimento das metas traçadas em 2000 na Conferência Mundial de Educação, o Brasil conseguiu reduzir sua repetência de 24% para 19%. O patamar é elevado quando confrontado com a média mundial (3%) ou mesmo com a África subsaariana (13%), região mais pobre do mundo.
Taxas altas de repetência não resultaram, no caso do Brasil, em melhoria do aprendizado.O relatório lembra que mais de 60% dos alunos brasileiros não conseguiram passar do nível básico de aprendizado na escala da prova de ciências do Pisa (exame que compara os estudantes em 57 países).
"Nossa taxa de repetência ainda é alta", diz a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar.A representante do governo Lula afirma que a situação melhorará devido ao Ideb (índice criado pelo governo para monitorar o desempenho das redes, que alia resultados dos exames dos alunos da Prova Brasil e as taxas de aprovação desses estudantes). "O MEC provocou a reflexão na rede, de conjugar aprendizagem com fluxo interessante.
"DesgasteProfessor da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), Ocimar Munhoz Alavarse diz que a taxa de reprovação é "alarmante". "Com a repetência, a criança perde o convívio com os colegas e fica com a pecha de repetente. Isso só prejudica", afirma."Após ser reprovado, o aluno tem de refazer o mesmo ano, no mesmo formato. A chance de ele aprender é pequena", diz o coordenador-geral da ONG Ação Educativa, Sérgio Haddad.
A professora da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília) Regina Vinhaes Gracindo afirma que "em muitos países do mundo, como o Japão, nem existe repetência.
A criança entra na turma da sua idade, e a escola precisa oferecer a aprendizagem". Para Gracindo, que é do Conselho Nacional de Educação, a repetência cairá com a melhora do ensino. "Isso requer docentes bem remunerados e melhores condições materiais."
A alta repetência é o maior entrave para a melhoria do Brasil no Índice de Desenvolvimento da Educação, que faz um ranking de países segundo o cumprimento das metas estipuladas em 2000. O país ficou na 80ª posição entre 129 para os quais foi possível calculá-lo. Há quatro anos, a posição brasileira era a 72ª em 127 nações.O índice é composto de quatro dimensões: acesso à escola, desigualdade de gênero, analfabetismo adulto e qualidade.Esse último fator é avaliado pelo percentual de alunos que completam ao menos quatro anos de educação formal.
Nesse aspecto, o Brasil cai da 80ª para a 99ª posição. Já quando se trata apenas de acesso à escola, sobe para 59ª.As metas estipuladas são: ampliar a educação e a assistência à primeira infância; garantir o ensino primário gratuito e obrigatório; promover aprendizagem e habilidades para a vida; aumentar em 50% a alfabetização de adultos; alcançar a igualdade de gêneros; e assegurar a qualidade em todos os níveis de ensino.


- Cometário - Diego Viana Do Couto Pitta:

Não podíamos esperar mais de um país marcado pela falta de competência das autoridades e pela desigualdade histórica do Brasil. As vezes a vontade é apelar para o divino mesmo, já que o brasileiro não tem competência para administrar o que tem nas mãos. A burocracia brasileira associada a falta de interesse gera esse tipo de noticia, quem pode pagar por escolas que paguem, quem pode pagar por cursos, que paguem, enquanto mais de noventa por cento da população fica a mercê de um milagre dos céus, realmente dados vergonhosos para um país que pretende assumir uma influência na esfera global.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Um recado aos separatistas.


*Texto de Diego Viana Do Couto Pitta.


"Uma tendência mundial, o separatismo, é só observar o mapa político da Europa na década de 90" * Comentário de um internauta do Rio Grande Do Sul.

Vamos ser coerentes.

Todo o movimento separatista nos anos 90 gerou um derramamento de sangue, no caso da desintegração da União das republicas Socialistas Soviéticas só não gerou uma guerra civil devido o golpe de estado em Mikhail Gorbachev através do presidente da Rússia, Boris Yeltsin e outros presidentes, que foram considerados traidores pelo povo soviético. Os outros estados, a tendência mundial para alguns, buscam o separatismo porque foram anexados de maneira indevida ao estado regente, ou seja o país Basco já era um país independente ( ideologicamente, politicamente, culturalmente) e teve a sua soberania infringida por atores externos, França e Espanha.
Os pontos que devem ser estabelecidos nessa discussão são:- O estado de São Paulo tem um movimento separatista chamado Movimento Separatista Republica de São Paulo. As pessoas que fazem parte desse movimento, são pessoas de pensamento preconceituoso, para não falar em criminoso, que coloca a culpa no povo nordestino pela situação do estado e não nas autoridades federais e estaduais, que permitiram o êxodo rural do campo para as cidades, justamente pela falta de investimento em outros lugares, gerando uma urbanização caótica e sem planejamento.

- Outros movimentos minoritários no país são o movimento Republica Rio-Grandense e o chamado “Sul é o meu país” que descriminam os povos de origem não italo-germânica dizendo que o Sul sozinho sem a presença do resto do país, seria um país desenvolvido.

Vamos aos fatos:

A Republica Rio-Grandense criada em 1935, no período regencial, foi gerada através de uma disputa comercial entre os produtores do charque do Rio Grande do Sul e o Império que não taxava o charque dos países platinos. Os dez anos de conflito que se resumiram em um acordo de anexar novamente o Rio Grande do Sul ao Império do Brasil, ou seja, a tal revolução farroupilha garantiu os interesses da elite estancieira e não da população.

A antiga Iugoslávia foi completamente desmantelada porque não existia um sentimento de nação (justificando o separatismo).
Varias etnias diferentes compunham o território Iugoslavo, religiões diferentes, ligadas único e exclusivamente na figura do General Tito, com a sua morte resultou um processo de guerras e conflitos encabeçados pelas tropas Sérvias, aniquilando croatas, a população da Macedônia e do Kosovo. Essa é a tendência mundial, sobre a carnificina que isso gerou.
Do que o Rio Grande Do Sul tem para reclamar do resto do Brasil? Eles tem o maior índice de desenvolvimento humano, mas o que seria da industria do Rio Grande Do Sul sem os demais estados? O estado de Santa Catarina também tinha um movimento separatista, só que hoje recebe ajuda do Brasil inteiro, devido a tragédia no Vale do Itajaí. Devemos ser sim humanitários com o povo de Santa Catarina e estou completamente feliz que o Brasil está ajudando aquele estado, mas a região Sul sendo um país independente e sofresse esse tipo de tragédia natural, a quem iria apelar ajuda, a ONU, pedir dinheiro emprestado ao Banco Mundial e ao FMI?
Nem o Estado de São Paulo com o PIB de R$802,552 bilhões seria capaz de superar tal tragédia sem a ajuda dos outros estados.
O que seria da industria do Sul sem os outros estados, o que seria dos empregos dos povos de São Paulo e do Sul? O Sul e São Paulo sendo países independentes teriam seus produtos taxados através de políticas de importações, leis brasileiras e de outros países, tais países ( Sul e São Paulo) teriam que disputar com países industrializados e garantir um produto final bom ou melhor a um preço de custo competitivo. Seria possível sobreviver a esse cenário globalizado sem o mercado interno que os outros estados garantem aos estados da região Sul e para São Paulo?
Os separatistas estão cegos pelo preconceito que foi e está passando de geração para geração. Para os que desejem citar o caso da Cisplatina, A criação do Uruguai foi uma manobra completamente política, Cisplatina é o atual Uruguai e a Inglaterra mediou o conflito entre Brasil e Argentina. Existia um conflito entre esses dois países pela margem oriental do Rio do Prata, isso determinou que a Inglaterra mediasse o conflito.
Esses supostos novos países ( Sul e São Paulo) com toda a certeza teriam mais problemas estruturais do que sendo um estado da união. Os problemas do Brasil devem ser resolvidos em conjunto e sentimento de nação, mas infelizmente existe pessoas com esses pensamentos separatistas do qual não ajuda em nada o desenvolvimento do país que queremos.


Movimentos separatistas no Brasil:

*República do Pampa, criado em 1990 por Irton Marx, e defende a separação do estado do Rio Grande do Sul.

**O movimento O Sul é o Meu País, que defende a autonomia da Região Sul, constituída por três estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

*** O movimento República de São Paulo - MRSP

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Soberania e Auto-afirmação.


* Por Diego Viana Do Couto Pitta

Todas as nações da terra detém os seus direitos de escolher o caminho para um desenvolvimento econômico e politico independente das grandes potencias mundiais. Escolher um caminho sustentável e viável para o desenvolvimento social da nação, independente da ideologia politica deve ser garantido a cada nação da terra, sendo ela um pequeno principado, ou uma grande nação em população e em território. Muitos criticam o evento que aconteceu em Cuba, a Revolução Cubana é criticada a cada instante por aqueles que se dizem da direita política, mas garanto que muitos nunca leram um livro de política, economia e nem ao menos sabem o que é direita ou esquerda política, não sabem definir onde nasceram esses termos e suas maneiras de governo. A critica ao sistema politico é fácil, porém muitos daqueles que criticam, não digo todos, mas uma grande parcela daqueles que criticam o sistema vigente em Cuba nem ao menos pegaram em um livro, para entender as teorias, sendo elas de cunho capitalista ou socialista.

Vamos aos números:

IDH ( 2007 ) - 0,838 ( 51º na posição mundial ) A espectativa de um cubano viver no momento de seu nascimento é de 78,3 anos. A mortalidade infantil em Cuba é equivalente a dos países mais desenvolvidos do mundo, uma magnifica posição de 5,1/mil nascimentos (posição 168º no ranking mundial).

Mesmo com um PIB de US$51.110 bilhões, o governo Cubano consegue garantir esses números fantásticos, todos esses dados foram fornecidos por organismos das Nações Unidas, sendo assim é difícil uma manipulação dos números.

Vamos agora comparar com um país rico economicamente, porem pobre socialmente, com um PIB de US$1,835 trilhão, o Brasil.
No Brasil os problemas sociais e falta de distribuição de renda, associado a uma falta de políticas de cunho social, geram os números abaixo:

Expectativa de vida – 72,7 anos, com a mortalidade infantil de 23,6/ para cada mil nascimentos e a alfabetização de 90% da população, os últimos dois tópicos estão na posição de 90º em comparação a outros países do mundo.

As pessoas criticam e dizem que não tem liberdade em Cuba, porém do que adianta liberdade sem que grande parte da população não pode ter condições básicas de vida, como vemos no Brasil, ser livre significa ter condições básicas de vida também, condições humanas e dignas de trabalho e sobrevivencia.
Concordo que o sistema Cubano precisa de ajustes, como as liberdades políticas paras pessoas, mas vemos que o governo cubano é sério e necessita de reconhecimento quando avaliamos políticas sociais. O Brasil precisa aprender muito com Cuba e buscar um sistema mais humanitário, afim de garantir que todas as pessoas tenham condições viáveis de vida. Não defendo a ausência de democracia, porém devemos ser coerentes e lembrarmos dos números quando criticamos maneiras de governar, sendo essa maneira socialista ou capitalista.
A critica infundada é fácil de se fazer, uma critica estruturada com fundamentos, poucas pessoas fazem. O desenvolvimento cubano sofre hoje devido o embargo estadunidense, o que é uma afronta a humanidade, a liberdade de Auto-afirmação deve ser garantida a todos os governos, sendo eles compostos de qualquer ideologia, cada povo tem o direito de escolher o seu caminho para o bem estar social, isso é respeito aos direitos humanos e a escolha de seguir qualquer caminho com liberdade.

Liberdade do Tio Sam, nem de graça.


* Por Diego Viana Do Couto Pitta.

O presidente dos Estados Unidos continua afirmando que o Iraque mudou, porém as mudanças que podemos enxergar no Iraque são: Um país devastado pela guerra, que tenta controlar suas etnias e no ponto de vista de muitos estudiosos, está longe de ter sua liberdade garantida, devido a alta tensão e violência no país.
Na história mundial, nenhum presidente visitou outro país sem ao menos deixar uma nota na imprensa, avisando da respectiva visita, porém nesse mês George W. Bush, presidente em exercício dos Estados Unidos da América, visitou o Iraque sem deixar nem menos uma nota na imprensa, obviamente com as crises e violência estabelecidas no país, depois da invasão estadunidense no Iraque, o presidente dos Estados Unidos seria um alvo fácil de grupos étnicos, cheios de ódio em seus corações.
O Iraque foi vitima do imperialismo, ainda afirmo, Sadam Hussein é sim uma vergonha para história humana, foi assim como outros ditadores, cruel e imparcial com seus inimigos, mesmo assim o Iraque, que na carta da ONU é considerada uma nação soberana, teve sua soberania flagelada pela manobra estadunidense. Esse mês um jornalista iraquiano atirou seus sapatos contra o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush durante uma coletiva de imprensa em Bagdá, um sinal de protesto pela situação que seu país está passando. Na cultura islâmica, atirar os sapatos em alguem é a maior das ofensas, agora esse mesmo jornalista pode pegar dois anos de prisão pelo ato. O Iraque está longe de ser livre, nem ao menos o protesto pela situação do país é valida, com Sadan ou sem ele, a censura ainda existe, isso é culpa daqueles que se dizem defensores da liberdade os Estados Unidos da América. Liberdade do Tio Sam, nem de graça.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A miséria chegou aos ouvidos do Papa, segundo o mesmo a derrota da fome é compromisso ético.


Texto de Diego Viana Do Couto Pitta baseado no artigo Derrota da fome é compromisso ético - Boa Notícia, Novembro de 2008

A realidade que o mundo passa hoje e o fato que existe alimentos para todos, demonstra que a luta contra a fome é acima de tudo um compromisso ético que deve ser assumido pela humanidade, segundo a visão de Bento XVI, papa da Igreja Católica Apostólica Romana.
Foi essa afirmação que o papa fez questão de enviar ao diretor geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, Jacques Diouf, essa mensagem foi enviada devido o Dia Mundial da Alimentação.
O tema escolhido pelo pontífice foi justamente o tema discutido entre os intelectuais e lideres do mundo, a segurança alimentar mundial: Os desafios da mudança climática e bioenergia. Segundo o pontífice, mesmo com todos os problemas relacionados ao meio ambiente, a capacidade mundial em sanar os problemas relacionados a fome extrema é suficiente para suprir as necessidades crescentes a cada ano. A pergunta de Bento XVI é a mesma que milhões de pessoas fazem todos os dias, porque não é possível evitar que tantas pessoas passem por extremo descaso e fome, extrema fome que atinge milhões em todo o mundo. O bispo de Roma cita alguns dos mais variados motivos que na visão dele são os agentes causadores desses variados problemas. Entre esses agentes causadores, na visão de Bento XVI, o consumismo de uma pequena e restrita parcela da população mundial, a burocracia imposta pelos Estados Soberanos e a falta de compromisso ético, associada a ganância do homem. A corrupção na vida publica foi um dos motivos apontados pelo Bispo de Roma como também os investimentos em tecnologias militares e espaciais em vez de resolver os problemas relacionados a sociedade humana, como a fome e as doenças que fazem milhares de pessoas sofrerem e morrerem todos os anos. Os agentes que causam esses problemas, segundo o Papa tem origem em um falso sentimento e mudança de valores éticos associados a sociedade humana, as relações internacionais regentes no mundo de hoje buscam estabelecer interesses dos estados soberanos no mundo e não buscar valorizar o ser humano de uma maneira geral, esquecendo as fronteiras entre países, a natureza de cada pessoa humana foi esquecida pela pequena classe restrita da humanidade e o consumismo exagerado permite que uma pequena parte da população possa ter uma vida digna. Bento XVI ainda afirma que a derrota da fome é compromisso ético, pela promoção da justiça social efetiva que deveria reger a relação entre os povos, para que a sociedade seja mais justa para cada individuo presente na terra. Assim como Bento XVI, todas as pessoas dessa grande tribo chamada humanidade, esperam por ações mais eficazes da igreja Católica Apostólica Romana, dos governos soberanos do mundo e das grande organizações e corporações internacionais.
Todas as pessoas que nascem devem ter uma vida digna, pois a dignidade é um dos mais preciosos dos tesouros da terra.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

No confuso mundo dos *leviatãs surge um novo herdeiro do trono, esse novo herdeiro chama-se China.


*Escrito por Diego Viana Do Couto Pitta, dados como crescimento e algumas informações retiradas do artigo O país do centro no centro da cena da jornalista Cristina R. Durán revista Caros Amigos.

Nas disputas ideológicas que marcam a historia da existência humana, sempre existiram estados que detinham o poder econômico, político, militar submetendo os outros estados aos interesses e ideologias desse estado mais forte.
Com menos de 30 anos do colapso que marcou o fim da URSS ( um herdeiro em potencial ao trono) e estabeleceu uma nova conjuntura internacional, surge das cinzas outro estado reclamando o trono do mundo, esse estado não é nada menos que a República Popular da China.
As transformações da China acontecem a cada instante, infelizmente ainda a distribuição de renda é um grande problema que deve ser superado ao longo do desenvolvimento chinês, com as mudanças que ocorrem na China.
As mudanças estabelecidas ao longo dos anos através das mudanças políticas de Deng Xiaoping foram decisivas para estabelecer a Revolução Cultural, que moldou a China moderna que conhecemos hoje. Eu sou obrigado a admitir, mesmo sendo um grande admirador de Trotsky(lembrando que Deng rejeitou a tese Trotskista de revolução permanente sob a ditadura do proletariado), as mudanças estabelecidas foram decisivas para criar uma China aos moldes dos poderosos países da história da humanidade. Pequim, capital milenar da China é hoje um exemplo de mudanças extraordinárias, em menos de 40 anos a China de Mao Tse Tung se transformou na China moderna, porém com diferenças gritantes quando avaliamos a sociedade chinesa.
Encontramos um oeste atrasado, rural, posso até dizer medieval em comparação ao leste moderno, cheio de arranha-céus, com prédios com a capacidade de 10 mil pessoas, como é o caso do novo prédio da rede estatal TV CHINA.
Muitos especialistas dizem que a China não terá problemas com a crise, pois tem seus cofres abarrotados de dólares, com crescimento de 11,9% em 2007 e 8% em 2009. Até o economista Subramanyan, do Instituto de Economia Internacional, sugeriu em seu artigo para o Financial Times que os Estados Unidos tomem dinheiro emprestado da China para que o setor financeiro estadunidense melhorasse.
Talvez o novo palco das relações mundiais entre estados tenha que lidar com esse poderoso ator China, aspirante a herdeiro do trono, porém esse novo ator tem desafios, lidar com uma população de 1.300 bilhões de pessoas, cuidar das pessoas que passam fome hoje no oeste e vivem no mais completo atraso, não se esquecer que estação espacial em 2020 é coisa superficial, as pessoas são mais importantes.
Espero que o aspirante a herdeiro saiba fazer o dever de casa.



* Leviatã - Leviatã é o livro mais famoso do filósofo inglês Thomas Hobbes, publicado em 1651. O seu título se deve ao monstro bíblico Leviatã. O livro, cujo título por extenso é Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil, trata da estrutura da sociedade organizada.
Hobbes alega serem os humanos egoístas por natureza. Com essa natureza tenderiam a guerrear entre si, todos contra todos (Bellum omnia omnes). Assim, para não exterminarmo-nos uns aos outros será necessário um contrato social que estabeleça a paz, a qual levará os homens a abdicarem da guerra contra outros homens. Mas, egoístas que são, necessitam de um soberano (Leviatã) que puna aqueles que não obedecem ao contrato social.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

RETRATO DA CRISE MUNDIAL


Enviado por katsuhiro nakamura

*Por Luis Nassif

Caleidoscópio da crise. Do céu ao inferno


No setor privado, há consenso sobre dois fatos: setembro registrou um dos melhores desempenhos da história; outubro registrará uma das maiores queda. Ninguém foi poupado, da indústria de alimentos à indústria de base.

Crédito 1
O crédito internacional continua seco como o coração de um cabeção de planilha. O Banco do Brasil precisou emprestar R$ 4 bi às montadoras porque seus bancos - veja bem, banco de multinacionais - não conseguiam mais funding externo.

Crédito - 2
Não há como o setor automobilístico escapar inteiro dessa crise. Antes se tomava financiamento até a 72 meses, a taxas de 0,5% ao mês. O crédito que vier agora será no máximo em 36 meses, com 20% de entrada e juros substancialmente maiores. Imagine um carro de R$ 30 mil. Antes, com prazo de 72 meses, sem entrada, juros de 0,4% ao mês, a prestação saía por R$ 480,00. Agora, com entrada de 20%, juros de 1,2% ao mês e prazo de 36 meses, sairá por uma entrada de R$ 6 mil e uma prestação de R$ 825,00. Leve isso para todas as faixas de preços e se terá uma pequena idéia da pancada.

A Câmara da Crise
Desde o começo da crise alertei, aqui, para a necessidade de uma Câmara da Crise, que juntasse todos os órgãos do governo e do seto9r privado, permitindo o monitoramento da crise e a agilização dos procedimentos burocráticos. Isso porque não adiantava apenas estar na direção correta, mas ter a velocidade correta. Cada dia mais de demora, significa projetos a mais sendo suspendidos e influindo, em processo de cascata, sobre outros projetos. Nada isso ocorreu. O que acontece é que o crédito continua sem chegar na ponta não só do exportador mas do setor agrícola. Tem que sair correndo atrás do prejuízo porque a partir de janeiro o fogo começa a alastrar e aí não haverá cabeça fria para planejar ações.

Preços globais
Uma pequena amostra dos efeitos da crise global sobre investimentos. No setor de compressores, filiais de multinacionais alemãs adquirem da matriz até 80% das suas necessidades. E continuarão assim mesmo com o real desvalorizado. As máquinas alemãs respondem por exportações da ordem de US$ 140 bilhões. Para manter essa vitalidade, a indústria pesada alemã trabalha com margens de 3 a 5% de lucro sobre o faturamento e de 10% sobre o patrimônio líquido. Para ampliar investimentos, necessitará de funding no mínimo igual ou inferior a essa margem. E esse dinheiro, já não mais há.

Construção civil
Nos últimos dias o setor começou uma queima de estoques sem precedentes. Não evitará que muitas empresas comecem a entrar em dificuldades.

Redução dos investimentos
Três fatores não permitem apostar muito no investimento privado no próximo ano. O primeiro, a redução das projeções de crescimento que obriga a revisar todos os planos, inclusive daqueles que apostavam nos gargalos da infra-estrutura. A segunda, é precaução em se manter líquido. A terceira, é que muitas empresas líquidas, do setor financeiro e real, interromperam seus investimentos à espera da temporada de caça. A lógica é que, com a crise, haverá muito concorrente dando sopa a preços de liquidação.

Crise fiscal
No começo do ano baterá mais forte o aperto fiscal de estados e municípios. Será mais um fator forte de curto-circuito político.

*Luis Nassif é um jornalista brasileiro . Foi colunista e membro do conselho editorial da Folha de S. Paulo, escrevendo por muitos anos sobre economia neste jornal. Nas composições que faz dos possíveis cenários econômicos, não deixa de analisar áreas correlatas que também são relevantes na economia, como o sistema de Ciência & Tecnologia.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Crédito está se recuperando gradualmente, diz Meirelles


Crédito está se recuperando gradualmente, diz Meirelles


Presidente do BC destaca medidas, como liberação dos depósitos compulsórios e venda de dólares ao mercado


Ricardo Leopoldo e Célia Froufe - da Agência Estado


SÃO PAULO - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira, 10, que está ocorrendo uma paulatina retomada do crédito em razão das diversas medidas tomadas pelo governo, como a liberação dos depósitos compulsórios à vista e a prazo e a venda de dólares ao mercado, além de ações dos bancos oficiais. "Nós estamos vendo uma gradativa recuperação do crédito, que não atingiu os níveis anteriores à falência do banco Lehman Brothers, mas já está se recuperando gradualmente", afirmou.


Meirelles referia-se a uma séria de ações como a concessão de recursos que estavam alocados no BC relativos a depósitos compulsórios, o que já registrou liberação de R$ 47 bilhões. O BC já manifestou que esse montante tem o potencial de alcançar ate R$ 160 bilhões. Conforme citado por Meirelles na semana passada, o BC já havia liberado até o dia 5 deste mês US$ 14 bilhões para injetar liquidez no mercado, em leilões de dólares com recursos das reservas, com recompra, com garantias de Global Bonds para o comércio exterior e com garantias de contratos de ACC e ACE.

Ainda conforme informado por Meirelles no último dia 6, outros US$ 26 bilhões foram utilizados para reduzir a volatilidade no mercado de câmbio - foram US$ 24,5 bilhões na venda de swap cambial e US$ 1,5 bilhão pela não rolagem de swap reverso.

De acordo com economistas de bancos, empresários já começam a retomar gradualmente os projetos de investimentos, pois avaliam que os efeitos da crise financeira internacional estão passando aos poucos e que, com medidas do governo, tais como a não elevação dos juros pelo BC no último dia 29 de outubro, há uma perspectiva de que a concessão de financiamentos às companhias comece a se normalizar no começo do primeiro trimestre de 2009.


Mundo

A economia mundial vai desacelerar "substancialmente" em 2009. Este foi um dos consensos aos quais chegaram os representantes de aproximadamente 40 bancos centrais do mundo que estão reunidos em São Paulo para o encontro bimestral do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), segundo relatou Meirelles. De acordo com ele, é aguardado, inclusive, que os países industrializados registrem contração do Produto Interno Bruto (PIB).

"Os emergentes continuam a crescer, mas a taxas menores", relatou Meirelles.
Outro consenso ao qual chegou o grupo é de que o mercado melhorou desde o início de outubro, mas ainda está longe da normalidade. Estas conclusões foram feitas durante reuniões que ocorreram na parte da manhã, que tratou de conjuntura, e à tarde, sobre o mercado de câmbio. No início da entrevista, o presidente do BC salientou que a decisão de atitudes anticíclicas depende da situação de cada país. Ele citou como referências a conta corrente, as reservas internacionais e as contas públicas. "Cada país adota medidas convenientes a sua economia", avaliou.

De acordo com ele, o governo tem adotado medidas para preservar o País dos efeitos da crise e, entre outras, citou a liberação dos compulsórios. Meirelles lembrou que a crise começou em países desenvolvidos, mas pelos canais de crédito atingiu a economias emergentes. Ele voltou a dizer que o Brasil possui uma posição relativamente melhor do que alguns outros países e também do que a sua no passado. "Ninguém é imune à crise", disse o presidente do BC.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Crise expõe perigo de fortalecimento da direita, diz Hobsbawm


* postado por Yuri SS.


Da BBC Brasil - 21/10/2008.

Crise expõe perigo de fortalecimento da direita, diz Hobsbawm
Em entrevista à BBC, historiador falou sobre os efeitos da crise do capitalismo.

O britânico Eric Hobsbawm, considerado um dos historiadores mais influentes do século 20, disse à BBC nesta terça-feira que o maior perigo da atual crise financeira mundial é o fortalecimento da direita.

"A esquerda está virtualmente ausente. Assim, me parece que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com uma possível exceção - pelo menos eu espero - nos Estados Unidos, será a direita", disse Hobsbawn, em entrevista à Rádio 4.
O historiador marxista comparou o atual momento "ao dramático colapso da União Soviética" e ao fim de "uma era específica".
"Agora sabemos que estamos no fim de uma era e não se sabe o que virá pela frente."
Hobsbawn diz não acreditar que a linguagem marxista, que lhe serviu de norte ao longo de toda sua carreira, será proeminente politicamente, mas intelectualmente, "a análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante".
Abaixo, os principais trechos da entrevista.
Muitos consideram o que está acontecendo como uma volta ao estadismo e até do socialismo. O senhor concorda?
Bem, certamente estamos vivendo a crise mais grave do capitalismo desde a década de 30. Lembro-me de um título recente do Financial Times que dizia: O capitalismo em convulsão. Há muito tempo não lia um título como esse no FT.
Agora, acredito que esta crise está sendo mais dramática por causa dos mais de 30 anos de uma certa ideologia "teológica" do livre mercado, que todos os governos do Ocidente seguiram.
Porque como Marx, Engels e Schumpter previram, a globalização - que está implícita no capitalismo -, não apenas destrói uma herança de tradição como também é incrivelmente instável: opera por meio de uma série de crises.
E o que está acontecendo agora está sendo reconhecido como o fim de uma era específica. Sem dúvida, a partir de agora falaremos mais de (John Maynard) Keynes e menos de (Milton) Friedman e (Friedrich) Hayek.
Todos concordam que, de uma forma ou de outra, o Estado terá um papel maior na economia daqui por diante.
Qualquer que seja o papel que os governos venham a assumir, será um empreendimento público de ação e iniciativa, que será algo que orientará, organizará e dirigirá também a economia privada. Será muito mais uma economia mista do que tem sido até agora.
E em relação ao Estado como redistribuidor?
O que tem sido feito até agora parece mais pragmático do que ideológico...
Acho que continuará sendo pragmático.
O que tem acontecido nos últimos 30 anos é que o capitalismo global vem operando de uma forma incrivelmente instável, exceto, por várias razões, nos países ocidentais desenvolvidos.
No Brasil, nos anos 80, no México, nos 90, no sudeste asiático e Rússia nos anos 90, e na Argentina em 2000: todos sabiam que estas coisas poderia levar a catástrofes a curto prazo. E para nós isto implicava quedas tremendas do FTSE (índice da bolsa de Londres), mas seis meses depois, recomeçávamos de novo.
Agora, temos os mesmos incentivos que tínhamos nos anos 30: se não fizermos nada, o perigo político e social será profundo e ainda mais depois de tudo, da forma com a qual o capitalismo se reformou durante e depois da guerra sob o princípio de "nunca mais" aos riscos dos anos 30.
O senhor viu esses riscos se tornarem realidade: estava na Alemanha quando Adolf Hitler chegou ao poder. O senhor acredita que algo parecido poderia acontecer como conseqüência dos problemas atuais?
Nos anos 30, o claro efeito político da Grande Depressão a curto prazo foi o fortalecimento da direita. A esquerda não foi forte até a chegada da guerra. Então, eu acredito que este é o principal perigo.
Depois da guerra, a esquerda esteve presente em várias partes da Europa, inclusive na Inglaterra, com o Partido Trabalhista, mas hoje isso já não acontece.
A esquerda está virtualmente ausente, Assim, me parece que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com uma possível exceção - pelo menos eu espero - nos Estados Unidos, será a direita.
O que vemos agora não é o equivalente à queda da União Soviética para a direita? Os desafios intelectuais que isto implica para o capitalismo e o livre mercado são tão profundos como os desafios enfrentados pela esquerda em 1989?
Sim, concordo. Acredito que esta crise é equivalente ao dramático colapso da União Soviética. Agora sabemos que acabou uma era. Não sabemos o que virá pela frente.
Temos um problema intelectual: estávamos acostumados a pensar até então que havia apenas duas alternativas: ou o livre mercado ou o socialismo. Mas, na realidade, há muito poucos exemplos de um caso completo de laboratório de cada uma dessas ideologias.
Então eu acho que teremos de deixar de pensar em uma ou em outra e devemos pensar na natureza da mescla. E principalmente até que ponto esta mistura será motivada pela consciência do modelo socialista e das conseqüências sociais do que está acontecendo.
O senhor acredita que regressaremos à linguagem do marxismo?
Desde a crise dos anos 90, são os homens de negócio que começaram a falar assim: "Bem, Marx predisse esta globalização e podemos pensar que este capitalismo está fundamentado em uma série de crises".
Não acredito que a linguagem marxista será proeminente politicamente, mas intelectualmente a natureza da análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante.
O senhor sente um pouco recuperado depois de anos em que a opinião intelectual ia contra o que o senhor pensava?
Bem, obviamente há um pouco a sensação de schadenfreude (regozijo pela desgraça alheia).
Sempre dissemos que o capitalismo iria se chocar com suas próprias dificuldades, mas não me sinto recuperado.
O que é certo é que as pessoas descobrirão que de fato o que estava sendo feito não produziu os resultados esperados.
Durante 30 anos os ideólogos disseram que tudo ia dar certo: o livre mercado é lógico e produz crescimento máximo. Sim, diziam que produzia um pouco de desigualdade aqui e ali, mas também não importava muito porque os pobres estavam um pouco mais prósperos.
Agora sabemos que o que aconteceu é que se criaram condições de instabilidades enormes, que criaram condições nas quais a desigualdade afeta não apenas os mais pobres, como também cada vez mais uma grande parte de classe média.
Sobretudo, nos últimos 30 anos, os benefíciários deste grande crescimento têm sido nós, no Ocidente, que vivemos uma vida imensuravelmente superior a qualquer outro lugar do mundo.
E me surpreende muito que o Financial Times diga que o que se espera que aconteça agora é que este novo tipo de globalização controlada beneficie a quem realmente precisa, que se reduza a enorme diferença entre nós, que vivemos como príncipes, e a enorme maioria dos pobres.

BBC Brasil -



Seg, 06 de Outubro de 2008
Escrito por Luis A. Costa

“Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista”.
A análise é de Eric Hobsbawm, considerado um dos maiores historiadores vivos.
Em entrevista ao sítio Sin Permiso, Hobsbawm analisa a atualidade da obra de Karl Marx e o renovado interesse que vem despertando nos últimos anos, mais ainda agora após a nova crise de Wall Street.
E fala sobre a necessidade de voltar a ler o pensador alemão.
Hobsbawm é presidente do Birbeck College (London University) e professor emérito da New School for Social Research (Nova Iorque).
Entre suas muitas obras, encontra-se a trilogia acerca do “longo século XIX”: “A Era da Revolução: Europa 1789- 1848” (1962); “A Era do Capital: 1848- 1874” (1975); “A Era do Império: 1875-1914 (1987) e o livro “A Era dos Extremos: o breve século XX, 1914-1991 (1994), todos traduzidos em vários idiomas.
Leia abaixo a entrevista concedida a Marcello Musto, reproduzida da Agência Carta Maior:
Marcello Musto - Duas décadas depois de 1989, quando foi apressadamente relegado ao esquecimento, Karl Marx regressou ao centro das atenções. Livre do papel de intrumentum regni que lhe foi atribuído na União Soviética e das ataduras do “marxismo-leninismo” , não só tem recebido atenção intelectual pela nova publicação de sua obra, como também tem sido objeto de crescente interesse. Em 2003, a revista francesa Nouvel Observateur dedicou um número especial a Marx, com um título provocador: “O pensador do terceiro milênio?”.
Um ano depois, na Alemanha, em uma pesquisa organizada pela companhia de televisão ZDF para estabelecer quem eram os alemães mais importantes de todos os tempos, mais de 500 mil espectadores votaram em Karl Marx , que obteve o terceiro lugar na classificação geral e o primeiro na categoria de “relevância atual”.
Em 2005, o semanário alemão Der Spiegel publicou uma matéria especial que tinha como título “Ein Gespenst Kehrt zurük” (A volta de um espectro), enquanto os ouvintes do programa “In Our Time” da rádio 4, da BBC, votavam em Marx como o maior filósofo de todos os tempos. Em uma conversa com Jacques Attali, recentemente publicada, você disse que, paradoxalmente, “são os capitalistas, mais que outros, que estão redescobrindo Marx” e falou também de seu assombro ao ouvir da boca do homem de negócios e político liberal, George Soros, a seguinte frase: “Ando lendo Marx e há muitas coisas interessantes no que ele diz”. Ainda que seja débil e mesmo vago, quais são as razões para esse renascimento de Marx?
É possível que sua obra seja considerada como de interesse só de especialistas e intelectuais, para ser apresentada em cursos universitários como um grande clássico do pensamento moderno que não deveria ser esquecido? Ou poderá surgir no futuro uma nova “demanda de Marx”, do ponto de vista político?
Eric Hobsbawm - Há um indiscutível renascimento do interesse público por Marx no mundo capitalista, com exceção, provavelmente, dos novos membros da União Européia, do leste europeu.
Este renascimento foi provavelmente acelerado pelo fato de que o 150° aniversário da publicação do Manifesto Comunista coincidiu com uma crise econômica internacional particularmente dramática em um período de uma ultra-rápida globalização do livre-mercado. Marx previu a natureza da economia mundial no início do século 21, com base na análise da “sociedade burguesa”, cento e cinqüenta anos antes.
Não é surpreendente que os capitalistas inteligentes, especialmente no setor financeiro globalizado, fiquem impressionados com Marx, já que eles são necessariamente mais conscientes que outros sobre a natureza e as instabilidades da economia capitalista na qual eles operam.
A maioria da esquerda intelectual já não sabe o que fazer com Marx. Ela foi desmoralizada pelo colapso do projeto social-democrata na maioria dos estados do Atlântico Norte, nos anos 1980, e pela conversão massiva dos governos nacionais à ideologia do livre mercado, assim como pelo colapso dos sistemas políticos e econômicos que afirmavam ser inspirados por Marx e Lênin. Os assim chamados “novos movimentos sociais”, como o feminismo, tampouco tiveram uma conexão lógica com o anti-capitalismpo (ainda que, individualmente, muitos de seus membros possam estar alinhados com ele) ou questionaram a crença no progresso sem fim do controle humano sobre a natureza que tanto o capitalismo como o socialismo tradicional compartilharam. Ao mesmo tempo, o “proletariado” , dividido e diminuído, deixou de ser crível como agente histórico da transformação social preconizada por Marx.

Devemos levar em conta também que, desde 1968, os mais proeminentes movimentos radicais preferiram a ação direta não necessariamente baseada em muitas leituras e análises teóricas. Claro, isso não significa que Marx tenha deixado de ser considerado como um grande clássico e pensador, ainda que, por razões políticas, especialmente em países como França e Itália, que já tiveram poderosos Partidos Comunistas, tenha havido uma apaixonada ofensiva intelectual contra Marx e as análises marxistas, que provavelmente atingiu seu ápice nos anos oitenta e noventa. Há sinais agora de que a água retomará seu nível.

Marcello Musto - Ao longo de sua vida, Marx foi um agudo e incansável investigador, que percebeu e analisou melhor do que ninguém em seu tempo o desenvolvimento do capitalismo em escala mundial. Ele entendeu que o nascimento de uma economia internacional globalizada era inerente ao modo capitalista de produção e previu que este processo geraria não somente o crescimento e prosperidade alardeados por políticos e teóricos liberais, mas também violentos conflitos, crises econômicas e injustiça social generalizada. Na última década, vimos a crise financeira do leste asiático, que começou no verão de 1997; a crise econômica Argentina de 1999-2002 e, sobretudo, a crise dos empréstimos hipotecários que começou nos Estados Unidos em 2006 e agora tornou-se a maior crise financeira do pós-guerra. É correto dizer, então, que o retorno do interesse pela obra de Marx está baseado na crise da sociedade capitalista e na capacidade dele ajudar a explicar as profundas contradições do mundo atual?

Eric Hobsbawm - Se a política da esquerda no futuro será inspirada uma vez mais nas análises de Marx, como ocorreu com os velhos movimentos socialistas e comunistas, isso dependerá do que vai acontecer no mundo capitalista. Isso se aplica não somente a Marx, mas à esquerda considerada como um projeto e uma ideologia política coerente. Posto que, como você diz corretamente, a recuperação do interesse por Marx está consideravelmente – eu diria, principalmente – baseado na atual crise da sociedade capitalista, a perspectiva é mais promissora do que foi nos anos noventa. A atual crise financeira mundial, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica nos EUA, dramatiza o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta.
As pressões políticas já estão debilitando o compromisso dos governos neoliberais em torno de uma globalização descontrolada, ilimitada e desregulada. Em alguns casos, como a China, as vastas desigualdades e injustiças causadas por uma transição geral a uma economia de livre mercado, já coloca problemas importantes para a estabilidade social e mesmo dúvidas nos altos escalões de governo. É claro que qualquer “retorno a Marx” será essencialmente um retorno à análise de Marx sobre o capitalismo e seu lugar na evolução histórica da humanidade – incluindo, sobretudo, suas análises sobre a instabilidade central do desenvolvimento capitalista que procede por meio de crises econômicas auto-geradas com dimensões políticas e sociais. Nenhum marxista poderia acreditar que, como argumentaram os ideólogos neoliberais em 1989, o capitalismo liberal havia triunfado para sempre, que a história tinha chegado ao fim ou que qualquer sistema de relações humanas possa ser definitivo para todo o sempre.

Marcello Musto - Você não acha que, se as forças políticas e intelectuais da esquerda internacional, que se questionam sobre o que poderia ser o socialismo do século 21, renunciarem às idéias de Marx, estarão perdendo um guia fundamental para o exame e a transformação da realidade atual?

Eric Hobsbawm - Nenhum socialista pode renunciar às idéias de Marx, na medida que sua crença em que o capitalismo deve ser sucedido por outra forma de sociedade está baseada, não na esperança ou na vontade, mas sim em uma análise séria do desenvolvimento histórico, particularmente da era capitalista. Sua previsão de que o capitalismo seria substituído por um sistema administrado ou planejado socialmente parece razoável, ainda que certamente ele tenha subestimado os elementos de mercado que sobreviveriam em algum sistema pós-capitalista.
Considerando que Marx, deliberadamente, absteve-se de especular acerca do futuro, não pode ser responsabilizado pelas formas específicas em que as economias “socialistas” foram organizadas sob o chamado “socialismo realmente existente”. Quanto aos objetivos do socialismo, Marx não foi o único pensador que queria uma sociedade sem exploração e alienação, em que os seres humanos pudessem realizar plenamente suas potencialidades, mas foi o que expressou essa idéia com maior força e suas palavras mantêm seu poder de inspiração.
No entanto, Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, autoritariamente ou de outra maneira, nem como descrições de uma situação real do mundo capitalista de hoje, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista. Tampouco podemos ou devemos esquecer que ele não conseguiu realizar uma apresentação bem planejada, coerente e completa de suas idéias, apesar das tentativas de Engels e outros de construir, a partir dos manuscritos de Marx, um volume II e III de “O Capital”. Como mostram os “Grundrisse”, aliás. Inclusive, um Capital completo teria conformado apenas uma parte do próprio plano original de Marx, talvez excessivamente ambicioso.
Por outro lado, Marx não regressará à esquerda até que a tendência atual entre os ativistas radicais de converter o anti-capitalismo em anti-globalização seja abandonada. A globalização existe e, salvo um colapso da sociedade humana, é irreversível. Marx reconheceu isso como um fato e, como um internacionalista, deu as boas vindas, teoricamente. O que ele criticou e o que nós devemos criticar é o tipo de globalização produzida pelo capitalismo.

Marcello Musto - Um dos escritos de Marx que suscitaram o maior interesse entre os novos leitores e comentadores são os “Grundrisse”. Escritos entre 1857 e 1858, os “Grundrisse” são o primeiro rascunho da crítica da economia política de Marx e, portanto, também o trabalho inicial preparatório do Capital, contendo numerosas reflexões sobre temas que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte de sua criação inacabada. Por que, em sua opinião, estes manuscritos da obra de Marx, continuam provocando mais debate que qualquer outro texto, apesar do fato dele tê-los escrito somente para resumir os fundamentos de sua crítica da economia política? Qual é a razão de seu persistente interesse?

Eric Hobsbawm - Desde o meu ponto de vista, os ''Grundrisse'' provocaram um impacto internacional tão grande na cena marxista intelectual por duas razões relacionadas. Eles permaneceram virtualmente não publicados antes dos anos cinqüenta e, como você diz, contendo uma massa de reflexões sobre assuntos que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte. Não fizeram parte do largamente dogmatizado corpus do marxismo ortodoxo no mundo do socialismo soviético. Mas não podiam simplesmente ser descartados. Puderam, portanto, ser usados por marxistas que queriam criticar ortodoxamente ou ampliar o alcance da análise marxista mediante o apelo a um texto que não podia ser acusado de herético ou anti-marxista. Assim, as edições dos anos setenta e oitenta, antes da queda do Muro de Berlim, seguiram provocando debate, fundamentalmente porque nestes escritos Marx coloca problemas importantes que não foram considerados no “Capital”, como por exemplo as questões assinaladas em meu prefácio ao volume de ensaios que você organizou (Karl Marx's Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later).

Marcello Musto - No prefácio deste livro, escrito por vários especialistas internacionais para comemorar o 150° aniversário de sua composição, você escreveu: “Talvez este seja o momento correto para retornar ao estudo dos “Grundrisse”, menos constrangidos pelas considerações temporais das políticas de esquerda entre a denúncia de Stalin, feita por Nikita Khruschev, e a queda de Mikhail Gorbachev”. Além disso, para destacar o enorme valor deste texto, você diz que os “Grundrisse” “trazem análise e compreensão, por exemplo, da tecnologia, o que leva o tratamento de Marx do capitalismo para além do século 19, para a era de uma sociedade onde a produção não requer já mão-de-obra massiva, para a era da automatização, do potencial de tempo livre e das transformações do fenômeno da alienação sob tais circunstâncias. Este é o único texto que vai, de alguma maneira, mais além dos próprios indícios do futuro comunista apontados por Marx na “Ideologia Alemã”. Em poucas palavras, esse texto tem sido descrito corretamente como o pensamento de Marx em toda sua riqueza. Assim, qual poderia ser o resultado da releitura dos “Grundrisse” hoje.

Eric Hobsbawm - Não há, provavelmente, mais do que um punhado de editores e tradutores que tenham tido um pleno conhecimento desta grande e notoriamente difícil massa de textos. Mas uma releitura ou leitura deles hoje pode ajudar-nos a repensar Marx: a distinguir o geral na análise do capitalismo de Marx daquilo que foi específico da situação da sociedade burguesa na metade do século XIX. Não podemos prever que conclusões podem surgir desta análise. Provavelmente, somente podemos dizer que certamente não levarão a acordos unânimes.

Marcello Musto - Para terminar, uma pergunta final. Por que é importante ler Marx hoje?

Eric Hobsbawm - Para qualquer interessado nas idéias, seja um estudante universitário ou não, é patentemente claro que Marx é e permanecerá sendo uma das grandes mentes filosóficas, um dos grandes analistas econômicos do século 19 e, em sua máxima expressão, um mestre de uma prosa apaixonada.
Também é importante ler Marx porque o mundo no qual vivemos hoje não pode ser entendido sem levar em conta a influência que os escritos deste homem tiveram sobre o século 20. E, finalmente, deveria ser lido porque, como ele mesmo escreveu, o mundo não pode ser transformado de maneira efetiva se não for entendido. Marx permanece sendo um soberbo pensador para a compreensão do mundo e dos problemas que devemos enfrentar.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

As verdadeiras aspirações do Brasil em relação a MINUSTAH


* Texto de Diego Viana Do Couto Pitta, revisão Rudá Costa.

MINUSTAH

Inglês - United Nations Stabilization Mission in Haiti
Francês - Mission des Nations Unies pour la stabilisation en Haïti
Português - Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti.

Podemos realmente chamar a MINUSTAH uma ação voluntária do Brasil em relação as ONU ou essa ação tem um interesse político de influências por trás de uma missão de paz?
Para os que não conhecem a história desse pequeno país caraíba, o Haiti foi a primeira república da América Latina formada em 1804.

Constituído pela ilha de São Domingos - após uma revolução peculiar houve a criação da República Dominicana em 1824, dividindo a Ilha de São Domingos em dois países diferentes.
O Haiti hoje é o país mais pobre das Américas e um dos países mais pobres do mundo. Com um problema caótico relacionado a pobreza extrema, corrupção e problemas de saúde.

Mais da metade da população do Haiti é analfabeta e a expectativa de vida de um individuo nascido no Haiti hoje é de 52 anos.
O Haiti é considerado o país mais pobre do ocidente, sendo pior do que muitos países da África subsaariana, (países que não fazem parte do Norte da África, como por exemplo: Quênia, Benin e Nigéria).
A MINUSTAH está presente no Haiti desde 2004 com o objetivo de estabelecer um período de paz naquele país, porém observo que nada é feito por acaso, as pretensões brasileiras são muito mais políticas do que ajudar apenas um irmão continental.
Também podemos observar algumas movimentações do governo brasileiro em relação ao exercito e a violência.

Vejamos:

Suponho que todos lembram do episódio da presença do exército brasileiro nas favelas do Rio de Janeiro talvez poucos perceberam, mas essa ação nada mais foi que um treinamento militar para a suposta missão de paz no Haiti, caso não foi essa intenção, pareceu que esse foi o tal objetivo, porque logo após esse evento o exército estava embarcando em direção para o Caribe.
Não é recente as aspirações brasileiras para um lugar de destaque na Organização das Nações Unidas.
O Brasil busca a cadeira permanente no conselho da ONU, o governo aceitou uma missão imposta pelos Estados Unidos em busca desse objetivo. (Todos nós sabemos que o verdadeiro carro chefe da ONU é os Estados Unidos da América)
A vergonha é tanta que o governo brasileiro acredita que a paz esta próxima no Haiti, porém existe uma paz em um país miserável, com uma economia devastada e uma população flagelada?
O Haiti pede por uma reconstrução de seu país e não uma paz fictícia, pois um país só vive em paz quando há população com acesso aos serviços de saúde básica e tendo melhores oportunidades de vida.
O objetivo dessas palavras são, vamos avaliar o contexto antes de ter um conceito sobre o assunto.
Nenhum país do mundo age com intuito benéfico, os interesses estão sempre presentes. O Brasil em sua história nunca foi o pai dos pobres e não é agora que vai ser com esse discurso pacificador.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Até quando esperar?

* Texto de Diego Viana Do Couto Pitta

Meus caros leitores, resolvi escrever esse artigo ouvindo uma musica do Plebe Rude cujo o nome da canção é o mesmo desse artigo.
Até quando temos que esperar, por um país mais justo e democrático (sem essa democracia que os ricos tem acesso), quando esse sonho de brasileiros, como eu e você, que trabalhamos para garantir nosso futuro e das novas gerações de brasileiros, que amam esse país, mas se envergonham com os números.
Realmente, com tanta riqueza por ai, onde é que esta a nossa fração dessa riqueza? Esse país abençoado em diversos fatores mas entregue ao descaso público, que é governado por pessoas que não pensam em realmente mudar esse país, mas sim nas estatísticas e nos votos no começo de cada eleição. As mortalidades infantis associadas a desnutrição e a violência urbana, morrem mais pessoas por mês no Brasil vitimas da violência do que no Iraque, mesmo assim, acordamos todos os dias pensando em nossas vidas, se esquecendo do coletivo, da mudança em massa.
As favelas espalhadas e o caos urbano se estabelecendo, obras de fachada por todo o país, ainda não vi um governo que fez uma obra social, um contrato social eficaz, afim de mudar o contexto problemático existente.
Produzimos aviões, carros, dizem que o Brasil é até o celeiro do mundo, mas mesmo assim esse país, como dizia o grande Renato ( Renato Russo) , virou piada no exterior.
Pátria, flagelada e surrada, mal administrada e caótica, mesmo assim esperamos, mas leitor, até quando esperar?
A falta de distribuição de renda, associada a falta de acesso da grande parte da população a uma educação de qualidade, fazem com que poucos desfrutem de uma vida digna, que busquem seus objetivos e cresça juntamente com o país. O Brasil cresce economicamente a cada ano, mas não podemos esquecer que esse crescimento não tem um desenvolvimento econômico sustentável e voltado para as ações sociais que já mudaram muitas sociedades, no mundo inteiro.
Onde estão os investimentos em infra-estrutura, até quando vamos esperar por eles, Brasil que tem a Avenida Paulista com seus arranha-céus, Avenida Luiz Carlos Berrini, Avenida Europa, com suas lojas de carros e artigos de luxo, e ao mesmo tempo tem ruas que nem ao menos tem asfalto, luz ou sequer uma mínima infra-estrutura digna para um contribuinte que paga seus impostos com muito suor e sacrifício, esperando na ilusão de que esse dinheiro venha a ser usado corretamente, os números do impostômetro lá no centro de São Paulo só crescem. Onde estão os investimentos em educação, país que tem grandes autores da língua portuguesa, físicos, químicos, historiadores, diplomatas famosos, médicos renomados no exterior e mesmo assim tem uma grande carência por investimentos, poderíamos ser muito mais, exportar e aproveitar mais nossos talentos, mas no Brasil a oportunidade, infelizmente é para poucos, até quando esperar?
Cadê os investimentos em saúde, temos uma carga tributaria parecida com os tributos pagos em países ricos, como a Dinamarca, Suécia, Noruega, Alemanha entre outros países ricos no globo, e mesmo assim temos que ter uma assistência médica ( aqueles que tem condições de pagar) para não ficarmos a mercê das intermináveis filas do sistema público de saúde.
Nem preciso dizer da segurança, porque no Brasil morre mais gente por mês do que em países que estão em guerra, aliás quem disse que não estamos em uma guerra civil, pois a guerra diária por sobrevivência em um país abandonado pelo descaso público, acontece para todos aqueles que dependem do estado para trabalhar, estudar, se proteger.
Até quando esperar brasileiros, até quando esperar?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Pandemônio financeiro.




“Se o Estado é forte, esmaga-nos. Se é fraco, perecemos.” Paul Ambroise Valery, ensaísta francês (1871/1945)

* Pandemônio financeiro, escrito por Diego Viana Do Couto Pitta.

Infelizmente após uma política econômica cheia de erros, sem soluções aparentes, conforme o dito popular “ tapar o sol com a peneira“, a maior economia mundial esta afundando no oceano das especulações e levando algumas outras economias para o "pandemônio financeiro".
Eu fico preocupado, porém consegui provar aquilo que sempre discuti entre os que se dizem neo-liberais, a economia não se regula sozinha, o estado não vive sem uma economia forte, todos fazem parte e estão ligados, no modelo, no sistema, daquilo que você caro leitor queira chamar.O sistema estadunidense e a prosperidade, que muitos achavam sustentável acabou de ruir hoje no dia 30 de setembro.
Mesmo no senado os interesses individuais junto com disputas internas entre democratas e republicanos, causaram um verdadeiro problema, não aprovaram o projeto do pacote de 700 bilhões de dolares, que seriam injetados na economia estadounidense.
Talvez o senado dos Estados Unidos não entenda a gravidade do problema e a urgência por uma solução.
Enquanto o governo de George Bush busca uma saída, que os livros liberais não mostram uma saída coerente, os europeus já colocaram seus governos atuando diretamente, nacionalizando bancos que estavam perto da falência, ou seja como fator regulador, provando que a economia não se regula sozinha, precisando de um órgão maior.
As bolsas de valores do mundo inteiro despencaram e o senado estadunidense fica nessa disputa política infundada, bom talvez o sonho americano tenha acabado em um pesadelo, espero mais responsabilidade ao lidar com especulações, porque essa bolha financeira começou com uma simples hipoteca, que esse evento marcado na existência humana sirva de exemplo para as demais gerações, a ganância leva sempre o homem ao caos, não apenas financeiro, ao caos social, talvez chegou a hora da humanidade rever os seus conceitos e valores de mundo e sociedade.

sábado, 27 de setembro de 2008

AH! OS IANQUES SE ENTREGARAM. OS CARAS SÃO MARXISTAS!

















* Escrito por Wagner Santana Lima.

O passatempo do governo dos EUA atualmente é arranjar meios para salvar o mercado financeiro (mais especificamente os bancos) de um colapso. Entre outras medidas, a proposta mais polêmica em tramitação no Capitólio é pela compra dos papéis podres que derrubaram as bolsas no mundo inteiro (o comentário mais engraçado sobre o assunto foi na coluna do José Simão no Folha de S. Paulo afirmando a Bolsa de Nova Iorque caiu tanto que passou a se chamar índice DOWN JONES). Essa conta custará para o Tesouro 700 bilhões de dólares! 39% do PIB brasileiro e exagerando, equivale ao PIB de uns cem países.
Ou seja, Washington quer gastar toda essa dinherama nessas instituições financeiras que ficam promovendo especulação em outros países, principalmente os emergentes, ditando regras sobre o que deveria fazer, exigindo menor participacão do Estado na economia e quando a casa cai, para quem pede socorro: para o ESTADO. Agora depois que tropeçam na ganância, quer dividir o prejuízo com o contribuinte para evitar uma quebra no sistema financeiro.
Outra proposta, defendida pelo Partido Democrata (mais progressista do que o Partido Republicano) é de que o governo se torne acionista das empresas salvas pelo pacote Paulson para capturar partes dos lucros caso elas se recuperem.
Essa crise deve ser um golpe muito duro para o ego ianque que sempre defenderam o liberalismo econômico e agora que a água bate nas nádegas, tem que recorrer a mecanismos "marxistas" para sobreviver a tuburlência. A maioria pode dizer que estou errado, que a política econômica adotada pela Casa Branca é keynesiana, mas na verdade, o keynesianismo é a versão inglesa do marxismo.