segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Lula propõe uma Consolidação das Leis Sociais.


* Valor Econômico - 17 de Setembro de 2009


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende mandar ao Congresso ainda neste ano um projeto de lei para consolidar as políticas sociais de seu governo. A ideia é amarrar no texto da lei uma "Consolidação das Leis Sociais", a exemplo do que, na década de 1940, Getúlio Vargas fez com a "Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT)". O presidente disse em entrevista ao Valor, ontem pela manhã, que não vai pedir urgência para esse projeto. "É bom mesmo que ele seja discutido em ano eleitoral".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende mandar ao Congresso ainda este ano um projeto de lei para consolidar as políticas sociais de seu governo. A ideia é amarrar no texto da lei uma "Consolidação das Leis Sociais", a exemplo do que, na década de 50, Getúlio Vargas fez com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Diz que, para este projeto, não vai pedir urgência. "É bom mesmo que seja discutido no ano eleitoral".
Faz parte dos planos do presidente também para este ano encaminhar ao Congresso um projeto de inclusão digital. "Será para integrar o país todinho com fibras óticas", adiantou.
Na primeira entrevista concedida após a grande crise global, Lula criticou as empresas que, por medo ou incertezas, se precipitaram tomando medidas desnecessárias e defendeu a ação do Estado. "Quem sustentou essa crise foi o governo e o povo pobre, porque alguns setores empresariais brasileiros pisaram no breque de forma desnecessária".
Ele explicou porque está insatisfeito especialmente com a Vale do Rio Doce, a quem tem pressionado a agregar valor à extração de minério, construir usinas siderúrgicas e fazer suas encomendas dentro do país, em vez de recorrer à importação, como tem feito. "A Vale não pode ficar se dando ao luxo de ficar exportando apenas minério de ferro", diz ele. Hoje, disse, os chineses já produzem 535 milhões de toneladas de aço por ano, enquanto o Brasil, o maior produtor de minério do mundo, produz apenas 35 milhões de toneladas. "Isso não faz nenhum sentido."
O presidente defendeu a expansão de gastos promovida por seu governo, alegando que o Estado forte ajudou o país a enfrentar a recente crise econômica. "A gente não deveria ficar preocupado em saber quanto o Estado gasta. Deveria ficar preocupado em saber se o Estado está cumprindo com suas funções de bem tratar a população."
Rechaçou a eventualidade do "risco Serra", aludido por algumas autoridades de seu governo face às veementes críticas do governador de São Paulo, José Serra (PSDB) à política monetária. "É uma cretinice política. É tão sério governar um país da magnitude do Brasil que ninguém que entre aqui vai se meter a fazer bobagem, vai ser bobo de mexer na estabilidade econômica e permitir que a inflação volte".
A falta de carisma da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, provável candidata à sua sucessão em 2010 não é , para ele, um obstáculo eleitoral. "Se dependesse de carisma, Fernando Henrique Cardoso não teria sido eleito e Serra não seria nem candidato. Jânio Quadros tinha carisma e ficou só seis meses". O principal ativo de Dilma, na opinião de Lula, é a "capacidade gerencial" da ministra. "E mulher tem que ser dura mesmo, para se impor entre os homens."
Lula contou que já desaconselhou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a se candidatar ao governo de Goiás. "Eu já disse pro Meirelles. Eu sinceramente acho que o Meirelles não devia pensar em ser candidato a governador, coisa nenhuma. Mas esse negócio tem um comichão..."
O risco de os esqueletos deixados por planos de estabilização de governos passados se transformarem em pesado fardo para o Tesouro Nacional preocupa o presidente. Segundo ele, se o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar as ações contra bancos baseadas em supostos prejuízos causados por planos econômicos, uma conta que supera os R$ 100 bilhões, os bancos vão acionar judicialmente a União para bancar que ela banque essa despesa.
Na entrevista ao Valor, concedida na manhã de ontem em seu gabinete no Centro Cultural do Banco do Brasil, o presidente falou por uma hora e meia. Fumou cigarrilha na última meia hora da entrevista e não se recusou a falar de seu futuro político quando deixar a Presidência. "Gostaria de usar o que aprendi na Presidência para ajudar tanto a América Latina quanto a África a implementar políticas sociais, mas primeiro preciso saber se eles querem, porque de palpiteiro todo mundo está cansado". Sobre uma nova candidatura em 2014, o presidente foi direto: "Se Dilma for eleita, ela tem todo direito de chegar em 2014 e falar "eu quero a reeleição". Se isso não acontecer, obviamente a história política pode ter outro rumo".
Valor: Passado um ano da grande crise global, a economia brasileira começa a se recuperar. Além do pré-sal, qual a agenda do governo para o pós crise?
Luiz Inácio Lula da Silva: Ainda este ano vou apresentar uma proposta sobre inclusão digital. E, também, uma proposta consolidando todas as políticas sociais do governo.
Valor: Inclusive, o Bolsa Família, o salário mínimo?
Lula: Todas. Vai ter uma lei que vai legalizar tudo, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Será uma consolidação das políticas públicas para sustentar os avanços conquistados. Tudo o que foi feito, até as conferências nacionais, porque nós só temos legalizada a da saúde.
Valor: Mas o governo ainda não conseguiu sequer aprovar a política de valorização do salário mínimo?
Lula: A culpa não é minha. Mandei (para o Congresso) já faz um ano e meio. Sou de um tempo de dirigente sindical que, quando a gente falava de salário mínimo, as pessoas já falavam logo de inflação. Nós demos, desde que cheguei aqui, 67% de aumento real para o salário mínimo e ninguém mais fala de inflação. O projeto que nós mandamos é uma coisa bonita. É a reposição da inflação mais o aumento do PIB de dois anos atrás. Quero consolidar isso porque acho que o Brasil tem que mudar de patamar.
Valor: O senhor vai pedir urgência?
Lula: Não. É ótimo que dê debate no ano eleitoral. Quando eu voltar de viagem, vou ter uma reunião com todos os ministros da área social e vamos começar a trabalhar nisso.
Valor: E a inclusão digital?
Lula: Esta eu quero mandar também este ano. Será para integrar o país com fibras óticas. O Brasil precisa disso. Eu dei 45 dias de prazo, ontem, para que me apresentem o projeto de integração de todo o sistema ótico do Brasil.
Valor: O que mais será feito?
Lula: Uma proposta de um novo PAC para 2011-2015, que anunciarei em janeiro ou fevereiro. Porque precisamos colocar, no Orçamento de 2011, dinheiro para a Copa do Mundo, sobretudo na questão de mobilização urbana. E, se a gente ganhar a sede das Olimpíadas, já tem que ter uma coisa mais poderosa nisso.
Valor: Só para a parte que lhe cabe no pré-sal, o BNDES diz que vai precisar de uma capitalização de R$ 100 bilhões do Tesouro Nacional. O senhor já autorizou a operação?
Lula: Acabamos de dar R$ 100 bilhões ao BNDES e nem utilizamos ainda todo esse dinheiro. Para nós, o pré-sal começa ontem. Na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, pedi aos empresários que constituíssem um grupo de trabalho para que possamos ter dimensão do que vamos precisar nos próximos 15 anos entre infraestrutura, equipamentos para construção de sondas, plataformas, toda a cadeia. Não podemos deixar tudo para a última hora e isso vai exigir muito dinheiro. Esse problema do BNDES ainda não chegou aqui, mas posso garantir que não faltará dinheiro para o pré-sal.
Valor: O governo pensa numa política industrial para o pré-sal, voltada para as grandes empresas nacionais. Fala-se em ter empresas "campeãs nacionais". Isso vai renovar o parque industrial e as lideranças empresariais do país?
Lula: Certamente aumentará muito o setor empresarial brasileiro. Precisamos aproveitar o pré-sal e criar, também, um grande polo petroquímico. Não podemos ficar no sexto, sétimo lugar nesse setor. Pedi para o Luciano Coutinho (presidente do BNDES) coordenar um grupo de trabalho para que a gente possa anunciar em breve um plano de fomento à indústria petroquímica no Brasil. E pedi para os empresários brasileiros se prepararem para coisas maiores. Vamos precisar de mais estaleiros, diques secos, e isso tem que começar agora para estar pronto em três a quatro anos. Sobretudo, temos que convencer os empresários estrangeiros a investir no Brasil, construindo parcerias.
Valor: É por essa razão que o senhor está irritado com a Vale?
Lula: Não estou irritado com a Vale. Tenho cobrado sistematicamente da Vale a construção de usinas siderúrgicas no país. Todo mundo sabe o que a Vale representa para o Brasil. É uma empresa excepcional, mas não pode se dar ao luxo de exportar apenas minério de ferro. Os chineses já estão produzindo 535 milhões de toneladas de aço e nós continuamos com 35 milhões de toneladas. Daqui a pouco vamos ter que importar aço da China. Isso não faz nenhum sentido. Quando a gente vende minério de ferro, custa um tiquinho.
Valor: E não paga imposto porque o produto não é industrializado...
Lula: Não paga imposto. Tudo isso eu tenho discutido muito com a Vale porque eu a respeito. Quando ela contrata navios de 400 mil toneladas na China, é de se perguntar: ´e o esforço imenso que estou fazendo para recuperar a indústria naval brasileira?´
Valor: Mas a Vale não é uma empresa privada?
Lula: Pode ser privada ou pública. O interesse do país está em primeiro lugar. As empresas privadas têm tantas obrigações com o país como eu tenho. Não é porque sou presidente que só eu tenho responsabilidade. Se quisermos construir uma indústria competitiva no mundo, vamos ter que fortalecer o país.
Valor: Os custos não são importantes?
Lula: Os empresários têm tanta obrigação de ser brasileiros e nacionalistas quanto eu! Estou fazendo uma discussão com a Vale, já fiz com outras empresas, porque quando queremos importar aço da China, os empresários brasileiros não querem. Mas quando eles aumentam seus preços, eu sou obrigado a reduzir a alíquota (de importação) para poder equilibrar. Eu sei a importância das empresas brasileiras, ninguém mais do que eu brigou neste país para elas virarem multinacionais. Porque, cada vez que uma empresa se torna uma multinacional, ela é uma bandeira do país fincada em outro país.
Valor: As empresas não importam porque lá fora é mais barato e tecnologicamente mais avançado?
Lula: Não sei se tecnologicamente é mais avançado. Pode ser mais barato. Quando começamos a discutir com a Petrobras a construção de plataformas, ela falava ´nós economizamos não sei quantos milhões´. Eu falava ´tudo bem, e os desempregados brasileiros? E o avanço tecnológico do país? E a possibilidade de fazemos plataformas aqui e exportar?´ Em vez de apenas importar, vamos convencer as empresas de fora que nós temos demanda e que elas venham construir no Brasil. Não estamos pedindo favor. Talvez o Brasil seja, daqui para a frente, o país a consumir mais implementos para a construção de sondas e plataformas.
Valor: O governo pensa em reduzir os custos de produção no Brasil?
Lula: Temos, no momento, uma crise econômica em que o custo financeiro subiu no mundo inteiro. Desde que entrei, e considerando a extinção da CPMF, foram mais de R$ 100 bilhões em desonerações. Eu já mandei duas reformas tributárias ao Congresso. As duas tiveram a concordância dos 27 governadores e dos empresários. Mas as propostas chegam no Senado e, como diria o Jânio Quadros, tem o ´inimigo oculto´ que não deixa que sejam aprovadas.
Valor: Como o senhor vê o papel do Estado pós crise?
Lula: O Estado não pode ser o gerenciador, o administrador. O Estado tem que ter apenas o papel de indutor e fiscalizador. Então, (o Estado) leva uma refinaria para o Ceará, um estaleiro para Pernambuco. Se dependesse da Petrobras, ela não gostaria de fazer refinarias.
Valor: Por que há ociosidade?
Lula: Na lógica da Petrobras, as suas refinarias já atendem a demanda. Há 20 anos a empresa não fazia uma nova refinaria. Agora, o que significa uma nova refinaria num Estado? A primeira coisa que vai ter é um polo petroquímico para aquela região. Este é o papel do governo. O governo não pode se omitir. A fragilidade dos governantes, hoje, é que eles acreditaram nos últimos dez anos que os mercados resolviam os problemas. E agora, quando chegou a crise, todos perceberam que, se os Estados não fizessem o que fizeram, a crise seria mais profunda. Se o Bush (George, ex-presidente dos Estados Unidos) tivesse a dimensão da crise e tivesse colocado US$ 60 bilhões no Lehman Brothers antes de ele quebrar, possivelmente não teríamos a crise de crédito que tivemos. Então, a Vale entra nessa minha lógica.
Valor: Depois da conversa com o senhor, a Vale vai construir as siderúrgicas?
Lula: Ela precisa agregar valor às suas exportações. Se ela exportar uma tonelada de bauxita, vai receber entre US$ 30 e US$ 50. Se for um tonelada de alumínio pronto, vai vender por US$ 3 mil. Além disso, vai gerar emprego aqui, vai ter que construir hidrelétrica para ter energia. Não pode ter só o interesse imediato pelo lucro porque a matéria prima um dia acaba e, antes de acabar, temos que ganhar dinheiro com isso. A Vale entende isso.
Valor: Então ela se comprometeu?
Lula: Basta ver a propaganda dela nos jornais. Faz três anos que venho conversando com a Vale. O Estado do Pará reclama o tempo inteiro, Minas Gerais e o Espírito Santo também. A siderúrgica do Ceará não foi proposta por mim. Foi proposta em 1992. Há condições de fazer? Há. Há mercado? Há. Temos tecnologia? Temos. Então, vamos fazer.
Valor: Entre reduzir a carga tributária, desonerando a folha de pagamentos das empresas, e aumentar o salário do funcionalismo, o senhor ficou com a segunda opção. Por quê?
Lula: Primeiro porque a desoneração é baseada no nervosismo econômico, no aperto de determinado segmento. O Estado tem que ter força. No Brasil, durante os anos 80, se criou a ideia de Estado mínimo. O Estado mínimo não vale para nada. O Estado tem que ter força para fazer as políticas que fizemos agora, na crise, com a compreensão do Congresso. Não pense que foi fácil tomar a decisão de fazer o Banco do Brasil (BB) comprar a Nossa Caixa em São Paulo.
Valor: Por quê?
Lula: As pessoas diziam: ´Ah, o presidente vai dar dinheiro ao Serra e o Serra é candidato´. Mas não dei dinheiro para o Serra. Comprei um banco que tinha caixa e para permitir que o BB tivesse mais capacidade de alavancar o crédito. Quando fui comprar (via BB) 50% do Banco Votorantim, tive que me lixar para a especulação. Nós precisávamos financiar o mercado de carro usado e o Banco do Brasil não tinha ´expertise´. Então, compramos 50% do Votorantim, que tem uma carteira de carro usado de R$ 90 bilhões. Vocês têm dimensão do que foi ter uma Caixa Econômica Federal, um BNDES ou um BB na crise? Foi extremamente importante. A Petrobras apresentou estudo mostrando que deveria adiar o cronograma dos investimentos dela de 2013 para 2017.
Valor: Durante a crise?
Lula: É. Convoquei o Conselho da Petrobras para dizer: ´Olha, este é um momento em que não se pode recuar´. Até no futebol a gente aprende que, quando se está ganhando de 1 x 0 e recua, a gente se ferra.
Valor: E funcionou?
Lula: Quem sustentou essa crise foi o governo e o povo pobre, porque alguns setores empresariais brasileiros pisaram no breque de forma desnecessária. Aquele famoso cavalo de pau que o (Antonio) Palocci (ex-ministro da Fazenda) dizia que a gente não podia dar na economia, alguns setores empresariais deram por puro medo, incerteza. Essas coisas nós conversamos muito com os empresários, no comitê acompanhamento da crise. Agora não vai ter mais comitê de crise, mas sim de produção, investimento e inovação tecnológica. Estou otimista porque este é o momento do Brasil.
Valor: Por exemplo?
Lula: As pessoas estão compreendendo que fazer com que o pobre seja menos pobre é bom para a economia. Ele vira consumidor. Eles vão para o shopping e compram coisas que até pouco tempo só a classe média tinha acesso. Os empresários brasileiros precisam se modernizar.
Valor: A política de valorização do funcionalismo dificilmente poderá ser mantida por seu sucessor e nenhum dos candidatos tem ascendência sobre o movimento sindical que o senhor tem. Não é uma bomba relógio que o senhor deixa armada para o próximo governo?
Lula: Vocês acham que o Estado brasileiro paga bem?
Valor: O senhor acha que ainda ganha mal?
Lula: Você tem que medir o valor de determinadas funções no mercado e dentro do governo. Sempre achei que o pessoal da Petrobras ganhava muito. O Rodolfo Landim, quando era presidente da BR, há uns quatro anos, ganhava R$ 26 mil. Ele entrou na minha sala e disse: ´Presidente, tive convite de um empresário, estou de coração partido, mas não posso perder a oportunidade da minha vida´. Então, ele deixa de ganhar R$ 26 mil por mês e vai ganhar R$ 200 mil com dois anos de pagamento adiantado. Quanto vale um bom funcionário da Receita Federal, do Banco Central, no mercado? O que garante as pessoas ficarem no Estado é a estabilidade, não o salário.
Valor: Mas essa política de valorização salarial do funcionalismo é sustentável?
Lula: Como é que a gente vai deixar de contratar professores? Vou passar à história como o presidente que mais fez universidades neste país. Ontem, completamos a 11ª (das quais, duas foram iniciativa do governo anterior). Ganhamos do Juscelino Kubitschek, que fez dez. Teve governo que não fez nenhuma. E ainda há três no Congresso para serem aprovadas.
Valor: O senhor considera que o Estado hoje está arrumado?
Lula: A gente não deveria ficar preocupado em saber quanto o Estado gasta. Deveria ficar preocupado em saber se o Estado está cumprindo com suas funções de bem tratar a população. E ainda falta muito para chegar à perfeição.
Valor: O senhor foi vítima em 2002 do chamado "risco Lula". Hoje, já há quem fale em "risco Serra". Existe mais risco para o país com o Serra do que com a Dilma?
Lula: Nunca ouvi falar de ´risco Serra´ (risos). Posso falar de cátedra. Sofri com o ´risco Lula´ desde 1989. Em 1994, eu tinha 43% nas pesquisas em março e o que eles fizeram? Diminuíram o mandato para quatro anos e proibiram mostrar imagem externa no programa eleitoral. As pessoas pensam que esqueci isso. Quando chegaram as eleições para a prefeitura (em 1996), revogou-se a lei e todo mundo pôde mostrar imagens externas. Quando eles ganharam, aprovaram a reeleição. Então, essa coisa de ´risco Lula´ eu conheço bem.
Valor: É possível voltar a acorrer?
Lula: Espero que minha vitória e meu governo sirvam de lição para essas pessoas que ficam dizendo: ´o Lula era risco, agora o Serra é risco, a Dilma é risco, a Marina é risco, o Aécio é risco´. É uma cretinice política! Porque é tão sério governar um país da magnitude do Brasil que ninguém que entre aqui vai se meter a fazer bobagem. Quem fez bobagem não ficou. Todo mundo sabe da minha afinidade com os trabalhadores, da minha preferência pelos mais pobres. Entretanto, sou governante dos ricos também. E tenho certeza de que eles estão muito satisfeitos porque ganharam muito dinheiro no meu governo. Mais do que no governo ´deles´. Como pode um companheiro como a Dilma, o Serra, a Marina, todos que têm história, ficar sujeito a essa história de risco? E sabe por que não tem risco? Porque, se depois fizer bobagem, paga. Você pode ter visão diferente sobre as coisas, isso é normal. E agora mais ainda porque quem vier depois de mim.
Valor: Por quê?
Lula: Porque há um outro paradigma. Em cem anos a elite brasileira fez 140 escolas técnicas. Como é que esse torneiro mecânico faz 114? Estamos criando um paradigma. Fui ao Rio Maranguapinho (no Ceará) um dia desses. Estamos colocando lá R$ 390 milhões para fazer saneamento básico. Em Roraima são R$ 496 milhões para fazer saneamento e dragagem. Você sabe quanto o Brasil inteiro gastou em 2002 em saneamento?
Valor: Quanto?
Lula: R$ 262 milhões. Então, estamos colocando num bairro de Fortaleza o que foi colocado no Brasil inteiro naquele ano.
Valor: O senhor diria que pelo menos nos três fundamentos básicos da economia - superávit primário, câmbio flutuante e regime de metas - ninguém vai mexer porque foram testados na crise?
Lula: Para mim, inflação controlada é condição básica para o resto dar certo. Porque na hora que a inflação começar a crescer, os trabalhadores vão querer muito mais reajuste, os empresários também e a coisa desanda. Então, é manter a inflação controlada, a economia crescendo, permitir o crescimento do crédito. O Banco do Brasil sozinho hoje talvez tenha todo o crédito que o Brasil tinha em 2003.
Valor: Isso é bom ou ruim? Entre os anos 80 e 90, houve péssima gestão nos bancos estaduais, que acabaram quebrando...
Lula: Mas aí a culpa não é do banco. É irresponsabilidade da classe política. Os governantes transformaram os bancos públicos em caixa 2 de campanha. Emprestar dinheiro para amigo? Isso acabou. Não acho que ninguém que entre aqui vai ser bobo de mexer na estabilidade econômica e permitir que volte a inflação. Porque, se isso acontecer, o mandato é de apenas quatro anos.
Valor: A capacidade administrativa da ministra Dilma Rousseff, apesar do seu pouco carisma, e a confiança que o senhor tem em seu trabalho são suficientes para fazer dela uma candidata?
Lula: Quantos políticos têm carisma no Brasil? Se dependesse de carisma, Fernando Henrique Cardoso não teria sido presidente. Se dependesse de carisma, José Serra não poderia nem ser candidato. Carisma é uma coisa inata. Você pode aperfeiçoar ou não. Sempre é bom ter um pouco de carisma. O Jânio Quadros tinha carisma. Ficou só seis meses aqui. Estou dizendo que para governar este país é preciso um conjunto de qualidades. E a primeira qualidade é ganhar eleição. Tem que ter muita humildade, determinação do projeto que vai apresentar. Tem que provar que é capaz de gerenciar. Hoje, com sete anos de convivência, não conheço ninguém que tenha essa capacidade gerencial da Dilma. Às vezes as pessoas falam ´ela é dura´. Mas é que a mulher tem que ser mais dura mesmo.
Valor: Por quê?
Lula: Porque numa discussão política, para você se impor no meio de 30 ou 40 homens, é assim. A Dilma é muito competente. Feliz do país que vai ter uma disputa que pode ter Dilma, Serra, Marina, Heloísa Helena, Aécio. Houve no país um avanço qualitativo nas disputas eleitorais. O Fernando Henrique e eu já fomos um avanço extraordinário. Fico olhando e vejo que não tem um único candidato de direita. Isto é uma conquista extraordinária de um Brasil exuberante. É evidente que Serra tem discordância da Dilma e vice-versa, mas ninguém pode acusar um e outro de que não são democratas e não lutaram por este país.
Valor: Qual é a diferença entre eles?
Lula: Vai ter. Se for para fazer (um governo) igual não tem disputa. E, aí, o povo vai escolher por beleza... Não sei se serão só os dois. Mas são candidatos de qualidade.
Valor: Privatizar ou não privatizar pode ser a diferença?
Lula: Não.
Valor: Por que o senhor é contra a privatização?
Lula: Tudo aquilo que não é de interesse estratégico para o país pode ser privatizado. Agora, tudo o que é estratégico, o Estado pode fazer como fez com a Petrobras e o Banco do Brasil.
Valor: A Infraero é estratégica?
Lula: O Guido (Mantega, ministro da Fazenda) foi determinado a fazer um estudo sobre a Infraero, para ver se ela vira uma empresa de economia mista. O que nos interessa é que as coisas funcionem corretamente. Pedi ao Jobim (Nelson, ministro da Defesa) estudar o processo de concessão de um ou outro aeroporto para gente poder ter um termômetro, medir a qualidade de funcionamento. O que é estratégico no aeroporto é o controle do espaço aéreo e não ficar pegando passaporte de passageiros.
Valor: O senhor, então, não é contra a privatização por princípio?
Lula: Eu sou muito prático. Entre o meu princípio e o bom serviço prestado à população, fico com o bom serviço.
Valor: Quando o senhor falou dos candidatos, não mencionou Ciro Gomes.
Lula: O Ciro é um extraordinário candidato. De qualquer forma o PSB tem autonomia para lançar o Ciro candidato.
Valor: O senhor é o presidente mais popular da história do Brasil. No entanto, este Congresso é um dos mais desmoralizados. Por que o PT fracassou na condução do Congresso?
Lula: Você há de convir que a democracia no Brasil funciona com muito mais dinamismo que em qualquer outro lugar do mundo. O PT elegeu 81 deputados em 513 e 12 senadores em 81. A gente precisa dançar mais flamenco do que em qualquer país do mundo. Você vai ter que ter mais jogo de cintura. Exercitar a democracia é convencer as pessoas, é sempre mais difícil.
Valor: Por quê?
Lula: O Congresso é a única instituição julgada coletivamente. Se não teve sessão você fala: ´Deputado vagabundo que não trabalha´. Agora, nunca cita os que estiveram lá, de plantão, o tempo inteiro. Quando era constituinte, eu ficava doido porque ficava trabalhando até as duas, três horas da manhã. O Ulysses (Guimarães) ficava uma semana sem votar. Quando ele começava a votar, aquilo varava a noite. No dia seguinte, pegava o jornal, que dizia ´sessão não deu quórum porque os deputados não foram trabalhar´. Mas havia lá 200 em pé. Toda vez que vou a debates com estudantes, em inauguração de escolas, eu falo isso: ´Se vocês não gostam de política, acham que todo político é ladrão, que não presta, não renunciem à política. Entrem vocês na política porque, quem sabe, o perfeito que vocês querem está dentro de vocês´.
Valor: O senhor disse que o Brasil deve comemorar o fato de não ter candidatos de direita na eleição presidencial. Por que depois de tantas tentativas de aproximar PT e PSDB, isso não deu certo?
Lula: Porque na verdade nós somos os principais adversários.
Valor: Em São Paulo?
Lula: Em São Paulo e em outros lugares. Há uma disputa.
Valor: A aliança PT-PSDB é impossível?
Lula: Acho que agora é impossível.
Valor: Como o senhor avalia sua relação com a oposição, sobretudo no momento em que se discute o marco regulatório do pré-sal?
Lula: Essa oposição teve menos canal com o governo. Certamente o DEM e o PSDB pouco tiveram o que construir com o governo. Possivelmente quando eles eram governo, o PT também construiu poucas possibilidades. O projeto do pré-sal tal, como ele foi mandado, não é uma coisa minha. O trabalho que fizemos foi, sem falsa modéstia, digno de respeito, tanto é que o Serra concorda com o modelo. O Congresso tem liberdade para mudar.
Valor: A oposição diz que o governo pediu urgência para usar o projeto de forma eleitoreira. A urgência era exatamente por quê?
Lula: Porque precisamos aprovar o mais rápido possível para dizer ao mundo o que está aprovado e começar a trabalhar. Acho engraçado a oposição dizer isso. A oposição votou em seis meses cinco emendas constitucionais no governo Fernando Henrique Cardoso.
Valor: O senhor volta com o pedido de urgência, se for o caso?
Lula: Depende. Atendi ao pedido do presidente da Câmara, Michel Temer. Vamos votar no dia 10 de novembro. Isso me garante. Termino o mandato daqui a um ano. Serei ex-presidente, nem vento bate nas costas. Não é para mim que estou fazendo o pré-sal. O pré-sal é para o país.
Valor: O que o senhor pretende fazer depois que deixar o governo?
Lula: Não sei. A única coisa que tenho convicção é que não vou importunar quem for eleito.
Valor: Todo mundo tem medo que o senhor volte em 2014...
Lula: Medo? Acho que deveria ter alegria, se eu voltasse. Na política a gente tem de ter sempre o bom senso. Vamos supor que a Dilma seja eleita presidente da República...
Valor: E se ela perder a eleição? O senhor vai se sentir pressionado pelo PT a disputar em 2014?
Lula: Vou trabalhar para o povo votar favoravelmente, mas, se votar contra, vou ter o mesmo respeito que tenho pelo povo. Se ela for eleita, tem todo o direito de chegar a 2014 e falar ´eu quero a reeleição´.
Valor: E se ela não for eleita?
Lula: Não trabalho com essa hipótese, mas obviamente que, se não acontecer o que eu penso que deve acontecer, a história política pode ter outro rumo.
Valor: Parece que está consolidada a percepção de que o país terá câmbio apreciado por um bom tempo. O senhor teme uma desindustrialização?
Lula: O nosso objetivo é industrializar o máximo possível. O Palocci disse uma frase que é simples e antológica: ´o problema do câmbio flutuante é que ele flutua´. Obviamente que nós já estamos discutindo isso. Trabalhamos com a hipótese de que vai entrar muito dólar no Brasil. Precisamos trabalhar isso com carinho. Em contrapartida, também estamos avançando na questão de fazer trocas comerciais nas moedas dos países. Não preciso do dólar para fazer comércio com a China, a Índia, a Rússia. Podemos fazer comércio com nossas moedas e com as garantias dos bancos centrais. Esta é uma coisa nova que já começamos a discutir. Na última reunião dos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China), foi constituído um grupo de trabalho para pensar sobre isso. Não é possível você tratar da economia com teoricismo, de que você acha que hoje pode tomar uma decisão para evitar que alguma coisa aconteça daqui a dez anos. Esta crise econômica mundial mostrou isso. Hoje é unanimidade mundial que o Brasil é o país mais preparado para enfrentar isso. Nunca tivemos nenhum plano econômico. Cada vez que tinha uma crise vinha um e apresentava um plano. Quebrava. Os bancos hoje estão sendo processados no Supremo Tribunal Federal (STF) por uma dívida de mais de R$ 150 bilhões, por causa dos planos Bresser e Verão.
Valor: Os bancos pediram ajuda ao governo?
Lula: Não é que o governo vai ajudar. O governo é o responsável. O governo fez a lei. Eles cumpriram a lei. Se eles perderem no STF, sabe o que vai acontecer?
Valor: A conta vai para o Tesouro.
Lula: Eles vão acionar a União. Obviamente que é isso. E quem fez os planos está dando palpites nas economias. Este é o dado. Também peço a Deus que eu não deixe nenhum esqueleto para meus sucessores. Por isso, estou mais tranquilo para tomar as decisões, mais meticuloso, para fazer as coisas. Eu fico imaginado, quando eu não estiver mais aqui dentro, o que é que um ex-presidente pode esperar do país. Que um venha e faça mais do que ele. Porque isso é o que vai fazer o país ir para a frente. Somente uma figura medíocre é capaz de torcer para o cara não dar certo. Porque, quando não dá certo, eu não vi nenhum político ter prejuízo. Ele pode perder a eleição, mas não tem prejuízo. Agora, o povo pobre é que paga a conta, se a política não der certo.
Valor: Qual vai ser o discurso da sua candidata?
Lula: Vamos deixar a candidata construir. Mas eu acho o seguinte: o que eram as campanhas passadas? Quem vai controlar a inflação, o salário mínimo de US$ 100, não era isso? Isso acabou. Não se fala mais em FMI, não se fala mais em salário mínimo de US$ 100, não se fala mais em inflação.
Valor: Mas no FMI o senhor vai falar?
Lula: Vou falar porque agora somos credores do FMI.
Valor: A França se tornou nosso parceiro prioritário em detrimento dos EUA?
Lula: Não sei porque não pensaram nisso antes. A França é o único país europeu que faz fronteira com o Brasil. São 700 quilômetros de fronteira. Isso é uma vantagem comparativa da relação com a França. Nós sempre teremos uma excelente relação com o EUA. Sempre teremos uma belíssima relação com a Europa. Mas isso não atrapalha que nós tenhamos relações bilaterais estratégicas com outros países. Acho que os Estados Unidos precisam ter um olhar para a América Latina mais produtivo, mais desenvolvimentista.
Valor: O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vai sair para se candidatar ao governo de Goiás?
Lula: Sinceramente, o Meirelles não devia pensar em ser candidato a governador, coisa nenhuma. É que esse negócio (fazer política) tem um comichão...

terça-feira, 24 de março de 2009

Bases e Rumos.


* Texto de Sócrates Magno, consultor em Gestão Pública.


O filosofo alemão Friedrich Nietzsche mencionava em uma de suas máximas filosóficas sobre o ser humano, que o maior risco que um homem corre em sua vida è justamente o de tornar-se aquilo que ele realmente é.
De deparar-se com situações onde dele seja exigida a sua essência, sejam estas circunstâncias boas, como fortuna e poder, ou ruins, como desgraças e acessos de fúria.
Por sua vez, nosso Dom Helder Câmara, em sua sabedoria e engajamento infinitos, dizia que feliz é o homem que consegue perceber o quanto ele precisa mudar para continuar sendo a mesma pessoa. Partindo destas duas vertentes aparentemente sem nenhuma ligação podemos verificar uma grande transversalidade no que diz respeito à evolução do ser humano e da conservação e aprimoramento de seus melhores valores perante si mesmo e a sociedade que os rodeia. Diante destas tônicas, podemos imaginar a busca interna de alguem que procura o autoconhecimento e o melhor convívio social. Se, segundo Nietzsche, o controle social efetivado por regras de conduta, leis e códigos tácitos de conivência forjam um homem de certa maneira oprimido diante de sua verdadeira natureza, Dom Helder aposta na evolução deste individuo seguindo as necessidades de convivência em grupo e de melhoria continua em sua visão de mundo, das coisas, das pessoas e de si próprio. Partindo da premissa de que somos muito mais o que representamos para as pessoas e para a sociedade do que uma concepção de nos mesmo, podemos citar algumas bases para a melhor convivência com o nosso ser e, por conseguinte, interferirmos positivamente na sociedade. Estas bases, por assim dizer, podem ser um bom parâmetro para avaliarmos se estamos crescendo como ser humano e consequentemente ajudando na evolução da sociedade ou se, ao contrario, contribuímos para que o mundo seja tão difícil de compreender e de conviver em grupo. Essencialmente, os nossos Princípios podem ser vistos como o primeiro e grande lastro de sustentação daquilo que representamos.
Neles estão contidos as nossas opiniões, nosso comportamento e as atitudes perante a vida. A perfeita harmonia entre estas formas de comunicação sobre nos mesmos nos revelam pessoas coerentes ou não. Quando demonstramos coerência em nossos princípios, independentemente de juízo de valor, nos tornamos previsíveis e aptos a termos seguidores que sempre saberão como agiremos diante das diversas situações que poderão ocorrer, transmitindo segurança e austeridade em nossas ações.
Em segundo lugar, as nossas Escolhas figuram de maneira decisiva para crescermos, retrocedermos ou ficarmos parados, letargicamente vendo o mundo passar por nós e habitarmos na penumbra cinzenta da falsa segurança e da mediocridade.
Se fizermos escolhas, tomarmos decisões, baseadas em nossos princípios, ao invés de vivermos sob conveniências de conjunturas e de situações em que não interferimos diretamente, jamais galgaremos um aprimoramento moral e nunca deixaremos um legado positivo para os que nos rodeiam. Por ultimo, e muito importante, está o implacável Tempo. Ele è quem vai julgar se nossas escolhas, baseadas em nossos princípios, foram as mais acertadas. O Tempo será o senhor que cobrirà com os louros da vitoria ou que castigará severamente a nós por nossa falta de coerência, coragem e força diante dos diversos dédalos e armadilhas que o mundo nos oferece seguidamente. Se conseguirmos, com a observação a nossa volta, olhando para dentro de nós mesmos, não apenas para o umbigo, ampliar a nossa visão de mundo e nos aproximarmos de valores que façam os nossos princípios mais nobres reluzirem, estaremos no caminho que vai nos conduzir a uma vida muito mais producente e comunitária. Utilizando a sabedoria para fazer as escolhas mais coerentes e lançando mão da coragem necessária para fazê-las de maneira ousada e contundente, certamente o Tempo nos brindará com êxito, respeitabilidade e lucidez em nossas vidas.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Bloomberg: BRICs devem ser os primeiros a sair da recessão.


*Fonte Bloomberg através do portal PIB - Presença Internacional Do Brasil.

Mercados de ações dos grandes países emergentes mostram capacidade de reação no começo de 2009

Os BRICs estão mostrando uma capacidade de reagir à crise inimaginável nos Estados Unidos, no Japão e na maior parte da Europa, afirma reportagem da agência de noticias Bloomberg (BRICs Show No Death of Equities in Emerging Markets, 12/2/2009).

Como exemplo, a matéria cita o fato de que os únicos mercados de ações importantes a registrar ganhos de mais de 8% em 2009 são os da China, da Rússia e do Brasil, enquanto o índice indiano pouco se moveu.
É verdade que os ganhos do começo do ano se dão depois de grandes quedas em 2008 - no caso da Bovespa, de 41%, lembra a Bloomberg. Mas os analistas e gestores de fundos de investimentos consultados pela agência afirmam que os mercados de ações dos grandes países emergentes mostram condições de sair da crise mais rapidamente do que os de países desenvolvidos.Alguns fatores explicam essa tendência, segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg: no caso da China, o governo tem recursos e capacidade de investir em grandes pacote de estímulo à economia, por meio de obras de infraestrutura. No caso da Índia, além do estímulo governamental, o consumo privado também dá mostras de se manter em alta, ao contrário do que acontece no mundo rico.
O Brasil e a Rússia, de seu lado, são grandes produtores de minérios e metais e se beneficiam da demanda por esses materiais para os programas de infraestrutura dos BRICs maiores. De forma geral, dizem os analistas, os mercados emergentes estão sendo os últimos a cair na recessão global, e deverão ser os primeiros a sair dela.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Rédeas nos valorosos prêmios em Wall Street, assim age a administração de Barack Obama contra os ganhos de altos executivos em plena crise.


* Texto de Diego Viana do Couto Pitta.
** Números do texto - Executivos de empresas em crise tem limite de ganhos do Diário de S.Paulo.


Barack Obama, presidente dos Estados Unidos da America, declarou novas regras para as respectivas empresas em dificuldade para que recebam ajuda do governo. O presidente estadunidense afirmou em claro tom que é uma vergonha as altas quantias pagas para altos executivos em Wall Street. No tumultuado cenário que se encontra as empresas dos Estados Unidos, os altos executivos continuam recebendo ganhos milionários, no ano de 2008 foram registradas 18,4 bilhões de dólares em bônus, nos anos anteriores, ainda na administração de George Bush o valor chegou a 30 bilhões.
O trabalhador assalariado nos Estados Unidos continua sofrendo com a crise, gerada pela falta de coerência dos executivos, os mesmos executivos que permitiram que a bolha critica estourasse através da liberação abusiva de crédito. O presidente ainda afirmou que o atraso do pacote anti-crise pode causar uma catástrofe ainda maior devido a urgência que o setor financeiro tem de “respirar”.
Hoje o governo estadunidense reformulou uma nova regra que permite uma limitação dos ganhos dos alto-executivos em 500 mil dólares ano( aproximadamente 1.150,00 milhões de reais). O governo exige mais clareza e responsabilidade das empresas, gastos com festas, jatos e helicópteros e reformas nos escritórios estão definitivamente proibidas. As empresas funcionando no vermelho e gastando com irresponsabilidade, não. Yes We Can
A mão do estado mais uma vez salvando o mercado, o que será que estão pensando os neoliberais?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O povo que luta contra a maiores das forças, a natureza. O povo Holandês





"Deus fez o mundo e os holandeses fizeram a Holanda..."

* Texto de Diego Viana Do Couto Pitta
** números retirados do programa Maravilhas Modernas do THC.


A Holanda é um pequeno país no norte da Europa, com um dos maiores índices de desenvolvimento humano do mundo, mas com um problema caótico, o Mar do Norte. Que relação o mar tem os problemas holandeses, já que a Holanda é um país que tem absolutamente tudo que um ser humano pode desejar, emprego, renda estável, segurança?
A natureza tornou-se um problema ao povo holandês, que luta contra o mar todos os anos, isso devido as grandes inundações que o mesmo gera nas cidades holandesas quando nível do mar ultrapassa os níveis normais de segurança, estipulados pelos centros de pesquisa do governo. A geografia do país surpreende, praticamente 98% do território é plano, estando apenas um metro acima do nível do mar, enquanto existe terras nas proximidades de Rotterdam que estão seis metros abaixo do nível do mar.
Os holandeses aprenderam ao longo dos anos evitar esse problema natural, através de grandes obras de engenharia, se você pretende ser engenheiro hidráulico e tem uma quantia de dinheiro sobrando, vale a pena fazer um mestrado na Holanda, eles são especialistas em lutar contra o mar, e estudar com eles é sucesso garantido.
Entre os grandes feitos da engenharia holandesa, estão as comportas do canal de Rotterdam, praticamente controladas por meio de computadores que avisam quando o nível do mar está representando perigo ao país e automaticamente se fecham, evitando as inundações, erro humano e o grande prejuízo para o porto de Rotterdam, que depende do canal pára manter sua economia. Porém o aquecimento global e as grandes depredações a natureza, o congelamento global, está tirando o sono dos holandeses, pois grande parte do país pode desaparecer caso o nível do mar chegue a números incontroláveis.
A quem diga que "Deus fez o mundo e os holandeses fizeram a Holanda...", isso devido aos longos anos de drenagem da água do mar, fazendo aumentar o território holandês, esse feito foi para muitos uma obra fantástica, porém nunca se pode tirar do mar o que é dele, o mar é uma força enorme da natureza. A Holanda é um dos países mais antigos do lado oeste do continente e pode ser o primeiro país a ter partes do seu território engolidas pelo mar, o aumento do nível dos mares está se tornando constante devido as depredações, aquecimento global, descongelamento das calotas polares.
As conseqüências das ações humanas, não arriscam mais comunidades e sim o futuro de países inteiros.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Os males do consumo exagerado.


*Texto de Diego Viana Do Couto Pitta
** Números retirados da revista Super Interessante.


E se o mundo consumisse como os Estados Unidos, teríamos chance de sobreviver?

Na realidade o planeta não suportaria.
Imagine povo russo, indiano, chinês e brasileiro, povos das novas nações que serão potências no século XXI (BRIC) vivendo como os yankees ( Estadunidenses), imagine todos os países do mundo consumindo como os americanos, precisaríamos de 5 planetas Terra.
Já que vivemos em uma única Terra, séria impossível a todos os povos da terra terem um padrão de vida como o padrão dos estadunidenses, para cada adulto nos Estados Unidos, existe um automóvel, enquanto em outros países, quando existe um veiculo, esse veiculo é para família toda. São 231 milhões de veículos, o equivalente a 76 carros para cada 100 habitantes, o planeta inteiro tem o equivalente a 850 milhões de carros, se todos os países fossem iguais aos Estados Unidos, teríamos aproximadamente 5,12 bilhões de carros, acompanhados pelos gastos com aço, petróleo, e outros recursos necessários para a produção desses veículos.
As reservas se esgotariam rapidamente, já que o consumo seria extremamente exagerado, fora que as conseqüências para o planeta seriam catastróficas, conseqüências como descongelamento das geleiras e um aquecimento global acelerado. O todos esses números comprovam é que a maneira dos estadunidenses de viver é extremamente prejudicial ao planeta e a vida dos outros povos, uma família de quatro pessoas não necessita de quatro carros, isso vai muito além da lógica.Os problemas que arriscam a sociedade só se agravam, crises financeiras, aumento da fome e das mortalidades, aumento da crise ecológica ( descongelamento das geleiras e aquecimento global), enquanto um único povo resulta em índices catastróficos de consumo. Apesar de termos tanta água, 3% apenas da água do planeta é potável para o consumo, em breve se os altos índices de consumo continuarem, não lutaremos mais por petróleo e sim por água. Na sociedade em que vivemos hoje, o consumo é necessário, justamente pela criação de novos postos de trabalho, porém o exagero do consumo resultaria em uma destruição do planeta em que vivemos, destruição que o ser humano não teria controle, o avanço dos mares por exemplo. Imagina se toda a família do mundo tivesse geladeira, assim como um grande amigo meu, comentou comigo, teríamos problemas sérios no futuro. Está na hora do mundo pensar em novas tecnologias renováveis, carros que gastam menos, geladeiras que gastam menos, energias limpas e etc, e esquecer que não comemos e nem bebemos dinheiro, assim como um ativista do Greenpeace comentou certa vez em uma reunião: Vai ser tarde quando as pessoas entenderem de que não comemos dinheiro, ai não teremos mais planeta.
Temos que mudar a maneira de viver, com consciência ecologica e humanitária, ou as próximas gerações não terão muito do que se alegrar nesse futuro planeta marcado pelas degradações ao meio ambiente.

Ministro italiano liga para Celso Amorim por extradição de Battisti.

* Retirado do Portal Terra

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, telefonou na tarde desta terça-feira ao chanceler Celso Amorim e voltou a defender a extradição do ex-ativista Cesare Battisti, que recebeu do governo brasileiro o status de refugiado político. Em nota, o ministério italiano informou que Frattini reiterou "o sentimento de profundo ressentimento pela decisão brasileira no caso". As informações são da agência Ansa.
Durante a conversa, o chanceler afirmou que a Itália tem uma "forte expectativa" de que "exista uma última instância institucional brasileira que possa tomar a decisão esperada, ou seja, a extradição de Cesare Battisti". Segundo o documento, o ministro italiano "reafirmou os motivos que o levaram a convocar o embaixador italiano no Brasil para consultas", nesta terça-feira.
Entrevistado por um telejornal italiano, Frattini disse ainda que acredita que "seja possível obter uma reviravolta final" no caso, com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A corte, que nesta segunda-feira recebeu um parecer do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, recomendando o arquivamento do processo, deverá decidir em fevereiro se extraditará Battisti ou se permitirá que ele viva em liberdade no Brasil.
Frattini qualificou como "errada" a decisão do procurador. "Não a aceitamos nem sob o perfil jurídico, e cremos que ela foi tomada de forma apressada", ressaltou. "Espero que esta questão seja resolvida com a extradição de Battisti em algumas semanas", disse ele. "Convocamos na Itália o nosso embaixador, Michele Valensise, para nos consultarmos com ele sobre os próximos passos".
AmistosoO ministro criticou, no entanto, a sugestão de seu subsecretário Alfredo Mantica, que pediu o cancelamento do amistoso entre as seleções de futebol de Itália e Brasil, marcado para o dia 10 de fevereiro, como forma de protesto. "Uma coisa é um protesto diplomático sério, outra coisa é um jogo de futebol", considerou Frattini.


* Cesare Battisti (Sermoneta, 18 de dezembro de 1954) é um ex-guerrilheiro de extrema-esquerda italiano e hoje é atualmente um escritor de livros de suspense. É considerado um terrorista pelo Estado italiano e atualmente tem o status de refugiado político no Brasil.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Uma metrópole periférica no sistema global.



*Escrito por Barbara Lima, aluna do ultimo ano de Relações Internacionais do Centro Universitário Fundação Santo André.

** Fonte - livro de Mariana Fix “São Paulo cidade global” 2007

Desde meados da década de 90 a cidade de São Paulo vem tomando um novo rumo e adotando uma nova perspectiva econômica.
O rápido crescimento do terceiro setor e a intangível expansão do setor financeiro em São Paulo são os protagonistas desta mudança.

A metrópole paulistana concentra hoje 7 sedes dos 10 maiores bancos nacionais, reúne ainda a maioria das matrizes das empresas brasileiras de capital privado, o que de fato evidencia que a cidade participa hoje do processo de mundialização do capitalismo. Todavia este processo vem sendo conduzido, ao que parece, de uma maneira desigual e seletiva entre seus cidadãos. Como anteriormente aconteceu no início da industrialização paulistana, o capitalismo transnacionalizado hoje cresce em São Paulo também de maneira desigual; tendendo a limitar as vantagens de sua expansão à alta classe social.
Desde o início de sua industrialização, desde os barões do café até os dias atuais, o fantasma da periferização e os intermináveis problemas de moradia que a classe trabalhadora enfrenta, acompanham o crescimento da metrópole; e parecem estar longe de deixá-la. Todo o “desenvolvimento” da cidade foi marcado pela indiferença do poder público em relação às condições em que vivem a sociedade de baixa renda.
Quando falo desta sociedade não estou me referindo à pessoas que invadiram territórios e formaram favelas por alternativa, estas pessoas são funcionários das automobilísticas paulistanas, operários de diversas empresas, enfermeiras, médicos e professores da rede pública, pessoas que cumprem diariamente com os seus deveres de cidadãos paulistanos. Diversos professores da Cidade Universitária de São Paulo moram nas favelas que a cercam. Esta descriminação com relação às condições sócio-econômicas está trazendo conseqüências desastrosas para a metrópole, consolidamos esta afirmação quando olhamos para o glorioso Centro Empresarial Nações Unidas: uma arquitetura magnífica, num estilo pós-moderno, agrega escritórios de empresas poderosíssimas como Mastercard, Monsanto, Banco Toyota, Microsoft, entre outras. O CENU (Centro Empresarial Nações Unidas) tornou-se ponto turístico e cartão postal da cidade (principalmente depois a construção da Ponte Água Espraiada). O que não está nos cartões postais nem nos guias turísticos de São Paulo, é que este centro empresarial teve que desapropriar do complexo de favelas do Jardim Edith para iniciar as suas obras. As pessoas que moravam na região foram simplesmente expulsas de suas moradias e não receberam ajuda suficiente (tanto da Prefeitura como das empresas responsáveis pela obra) para encontrarem outra moradia. “Somadas, as unidades produzidas pela Prefeitura e pelos empresários atenderam a menos de 5% dos moradores expulsos [da região]”.*
Enfim, o Centro Empresarial Nações Unidas é um símbolo e uma concretização dos impactos da mundialização do capitalismo em São Paulo. Infelizmente junto com a transformação da economia de São Paulo (de industrial para o terceiro setor), o seu crescimento e a sua inserção em um sistema global; também estão crescendo em igual velocidade e proporção a pobreza e os problemas com moradias.
E aumentando cada vez mais as condições precárias de uma sociedade que é forçada a dar licença para a expansão de uma metrópole que cresce sem desenvolver.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Favela não é uma condição étnica e tropical e sim social.


*Texto de Diego Viana Do Couto Pitta


Esse texto fica dedicado a todos os que ainda tem preconceito em seus corações e se negam em enxergar a verdade posta pela história.

A Favela não é uma condição étnica e cultural, o efeito favelas surge a partir do momento que os salários baixos associados a uma falta de distribuição de renda e ausência de políticas sociais influenciam a vida da sociedade como um todo.
Não tenha vergonha caso você viva na favela, pois a favela e uma conseqüência social da falta de capacidade do estado em distribuir a renda e não culpa sua e de uma etnia.
Voltando no tempo, no começo do século XIX na Grã Bretanha, podemos ver como Engels retrata em "A Situação da Classe Operária na Grã Bretanha", a situação e as condições de sub-habitação existentes nas regiões urbanas de Londres, situação essa que pode ser considerada muito pior que as favelas que encontramos no Brasil e em países da América Latina.
O que explica a imigração dos europeus para o novo mundo é esse fenômeno social de falta de distribuição de renda, a Amsterdã e Bruxelas do começo do século XX nem se compara com a Amsterdã e a Bruxelas do século XXI. Em meados de 1910 havia lixo espalhado por todos os lados e construções amontoadas com esgoto a céu aberto sendo despejado nos canais que hoje com o saneamento básico, maravilha milhares de turistas do mundo todo.
A Paris de 1850 era um caos social, com desigualdades, até mesmo Vitor Hugo retrata essa realidade em seu clássico "Os Miseráveis". Hoje a Europa é sinônimo de organização e desenvolvimento, mas nem sempre foi assim, a Leptospirose surgiu no continente europeu e matou milhares de pessoas, sendo isso resultado da urina dos ratos que viviam nas imundas cidades do continente europeu. Se tudo fosse perfeito na Europa, acredito que não existiriam os críticos que nasceram naquele continente e revolucionaram o mundo através de suas idéias. Quando olhar para uma comunidade, não culpe as pessoas que não tiveram opção e foram abandonadas pelo estado, garanto que essas pessoas gostariam de um lar digno, um endereço digno a um individuo humano. Infelizmente essa é a face do desenvolvimento do capitalismo que vem acompanhado desse tipo de fenômeno, para que o sistema funcione precisa existir os indivíduos excluídos da maquina, os explorados e como escreveu Vitor Hugo, os miseráveis. A favela é o sinal de falha das políticas estatais em garantir o bem estar de cada individuo, é um reflexo do sistema e não de uma etnia ( como muitos paulistas dizem sobre o povo nordestino). Quando visitar Paris e se maravilhar com a cidade luz, lembre-se de não colocar o europeu em uma posição superior em relação a você, eles estão nessas condições devido as condições históricas (empréstimos, ajuda do plano Marshall depois da Segunda Guerra Mundial, movimentos sociais). Pode parecer difícil, mas nem sempre tudo que se pode ver é a verdade, a história prova mais uma vez isso.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Questão Palestina.


* Do portal Objetivo.

Palestina (do original Filistina – “Terra dos Filisteus”) é o nome dado desde a Antigüidade à região do Oriente Próximo (impropriamente chamado de “Oriente Médio”), localizada ao sul do Líbano e a nordeste da Península do Sinai, entre o Mar Mediterrâneo e o vale do Rio Jordão. Trata-se da Canaã bíblica, que os judeus tradicionalistas preferem chamar de Sion.
A Palestina foi conquistada pelos hebreus ou israelitas (mais tarde também conhecidos como judeus) por volta de 1200 a.C., depois que aquele povo se retirou do Egito, onde vivera por alguns séculos.
Mas as sucessivas dominações estrangeiras, começadas com a tomada de Jerusalém (587 a.C.) por Nabucodonosor, rei da Babilônia, deram início a um progressivo processo de diáspora (dispersão) da população judaica, embora sua grande maioria ainda permanecesse na Palestina.
As duas rebeliões dos judeus contra o domínio romano (em 66-70 e 133-135 d.C.) tiveram resultados desastrosos.
Ao debelar a primeira revolta, o general (mais tarde imperador) Tito arrasou o Templo de Jerusalém, do qual restou apenas o Muro das Lamentações. E o imperador Adriano, ao sufocar a segunda, intensificou a diáspora e proibiu os judeus de viver em Jerusalém. A partir de então, os israelitas espalharam-se pelo Império Romano; alguns grupos emigraram para a Mesopotâmia e outros pontos do Oriente Médio, fora do poder de Roma.
A partir de então, a Palestina passou a ser habitada por populações helenísticas romanizadas; e, em 395, quando da divisão do Império Romano, tornou-se uma província do Império Romano do Oriente (ou Império Bizantino).
Em 638, a região foi conquistada pelos árabes, no contexto da expansão do islamismo, e passou a fazer parte do mundo árabe, embora sua situação política oscilasse ao sabor das constantes lutas entre governos muçulmanos rivais. Chegou até mesmo a constituir um Estado cristão fundado pelos cruzados (1099-1187). Finalmente, de 1517 a 1918, a Palestina foi incorporada ao imenso Império Otomano (ou Império Turco). Deve-se, a propósito, lembrar que os turcos, e embora muçulmanos, não pertencem à etnia árabe.
Em 1896, o escritor austríaco de origem judaica Theodor Herzl fundou o Movimento Sionista, que pregava a criação de um Estado judeu na antiga pátria dos hebreus.
Esse projeto, aprovado em um congresso israelita reunido em Genebra, teve ampla ressonância junto à comunidade judaica internacional e foi apoiado sobretudo pelo governo britânico (apoio oficializado em 1917, em plena Primeira Guerra Mundial, pela Declaração Balfour).
No início do século XX, já existiam na região pequenas comunidades israelitas, vivendo em meio à população predominantemente árabe. A partir de então, novos núcleos começaram a ser instalados, geralmente mediante compra de terras aos árabes palestinos.
Durante a Primeira Guerra Mundial, a Turquia lutou ao lado da Alemanha e, derrotada, viu-se privada de todas as suas possessões no mundo árabe. A Palestina passou então a ser administrada pela Grã-Bretanha, mediante mandato concedido pela Liga das Nações.
Depois de 1918, a imigração de judeus para a Palestina ganhou impulso, o que começou a gerar inquietação no seio da população árabe.
A crescente hostilidade desta última levou os colonos judeus a criar uma organização paramilitar – a Haganah – a princípio voltada para a autodefesa e mais tarde também para operações de ataque contra os árabes.
Apesar do conteúdo da Declaração Balfour, favorável à criação de um Estado judeu, a Grã-Bretanha tentou frear o movimento imigratório para não descontentar os Estados muçulmanos do Oriente Médio, com quem mantinha proveitosas relações econômicas; mas viu-se confrontada pela pressão mundial da coletividade israelita e, dentro da própria Palestina, pela ação de organizações terroristas.
Após a Segunda Guerra Mundial, o fluxo de imigrantes judeus tornou-se irresistível. Em 1947, a Assembléia Geral da ONU decidiu dividir a Palestina em dois Estados independentes: um judeu e outro palestino. Mas tanto os palestinos como os Estados árabes vizinhos recusaram-se a acatar a partilha proposta pela ONU.
Em 14 de maio de 1948, foi proclamado o Estado de Israel, que se viu imediatamente atacado pelo Egito, Arábia Saudita, Jordânia, Iraque, Síria e Líbano (1ª Guerra Árabe-Israelense). Os árabes foram derrotados e Israel passou a controlar 75% do território palestino. A partir daí, iniciou-se o êxodo dos palestinos para os países vizinhos. Atualmente, esses refugiados somam cerca de 3 milhões.
Os 25% restantes da Palestina, correspondentes à Faixa de Gaza e à Cisjordânia, ficaram sob ocupação respectivamente do Egito e da Jordânia. Note-se que a Cisjordânia incluía a parte oriental de Jerusalém, onde fica a Cidade Velha, de grande importância histórica e religiosa.

Cronologia dos conflitos envolvendo Israel e os territórios palestinos.


Cronologia dos conflitos envolvendo Israel e os territórios palestinos.

1947 - ONU aprova resolução que prevê a partilha da Palestina, criando um Estado para os judeus, recentemente vitimados pelo Holocausto na Europa. Jerusalém teria status internacional. A Liga Árabe recusa a proposta.

1948 - A Inglaterra, que ocupava a região desde a Primeira Guerra, retira suas tropas. O Estado de Israel é proclamado. Egito, Iraque, Transjordânia, Líbano e Síria promovem ataque. Israel vence e ocupa toda a Galiléia e o Deserto de Neguev. Com o cessar-fogo, Israel devolve a Cisjordânia aos árabes, que, a unificam com a Transjordânia, criando o Reino da Jordânia. Faixa de Gaza passa a ser dos egípcios. Os palestinos ficam sem território próprio.

1956 - Guerra do Suez. Egito, sob o comando de Gamal Nasser, nacionaliza o Canal do Suez. Israel, com apoio de Inglaterra e França, ataca o Sinai e chega ao Mar Vermelho. EUA e URSS obrigam Israel a recuar.

1959 - Criação da Al Fatah, então uma organização guerrilheira palestina, liderada por Yasser Arafat.

1964 - Palestinos criam a OLP, que viria a ser presidida por Arafat, com o objetivo de criar um Estado próprio e combater Israel. A Al Fatah passa a ser o braço armado da nova organização.

1967 - Guerra dos Seis Dias. Egito corta o acesso israelense ao Mar Vermelho. Israel bombardeia Egito, Síria e Jordânia e conquista toda a região do Sinai, da Cisjordânia e de Golã, triplicando seu território. Controla a totalidade de Jerusalém.

1972 - Um grupo guerrilheiro palestino seqüestra 11 atletas israelenses na Olimpíada de Munique. Tiroteio com a polícia deixa todos mortos.

1973 - Guerra do Yom Kippur. Egito e Síria atacam Israel no feriado judeu. Israel contra-ataca e vence.

1979 - Acordos de Camp David. Com mediação dos EUA, Egito e Israel assinam tratado que devolve o Sinai ao país árabe.

1982 - Invasão do Líbano. Israel ataca a OLP no sul do país e controla Beirute ocidental. Permite o massacre de refugiados palestinos por milicianos cristãos nos campos de Sabra e Chatila.

1987 - Intifada. Populações palestinas sob controle israelense se revoltam e lutam nas ruas, normalmente com armas simples, como paus e pedras.

1993 - Acordos de Oslo. Yasser Arafat e Yitzhak Rabin firmam acordo de paz, estabelecendo autonomia palestina na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, excetuando-se as colônias de judeus no interior desses territórios.

1995 - Rabin é assassinado por um militante judeu contrário aos acordos de paz.
Década de 90 - Acordos de paz têm avanços, e palestinos começam a receber territórios, sob administração da Autoridade Palestina. Por outro lado, o avanço de colonos judeus, as condições de vida impostas a palestinos, a questão da volta dos refugiados e da divisão de Jerusalém e o crescente fundamentalismo islâmico acirram tensões entre os dois povos.

2000 - Segunda Intifada. O general e presidenciável Ariel Sharon - visto pelos palestinos como responsável pelos massacres de Sabra e Chatila - visita a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental. O ato é visto como provocação e detona nova revolta popular.

2001 - Sharon é eleito primeiro-ministro israelense. Toma medidas que desagradam os palestinos, como a construção de uma cerca em torno da Cisjordânia.

2004 - Morre Yasser Arafat. Mahmoud Abbas, também do Fatah, o substitui no comando da Autoridade Palestina.

2006/2007 - O grupo islâmico Hamas vence as eleições parlamentares palestinas. Na prática, assume o controle da Faixa de Gaza.

2008 - Após trégua de seis meses entre Hamas e Israel, o grupo islâmico passa a lançar foguetes da Faixa de Gaza em direção a Israel. No fim do ano, Israel responde com ataques aéreos, matando mais de 400 pessoas.

2009 - Israel invade a Faixa de Gaza.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Sobre Cuba.


* Texto de Diego Viana Do Couto Pitta
** Fontes retiradas do site Wikipédia.org, dos sites da WTO (World Trade Organization) Organização Do Comércio, CEPAL e da WSI ( World Sugar International) Organização Mundial do Açucar.


Aos que buscam verdadeiras informações, hoje dia 02 de Janeiro de 2009 fiquei um pouco equivocado quando assisti o jornal Bom Dia Brasil, sobre os cinqüenta anos da Revolução Cubana. Não poderei colocar tudo o que assisti na reportagem mas colocarei aquilo que melhor convêm na elaboração desse artigo.

- O Bom Dia Brasil afirmou que Cuba anda tão pobre que nem ao menos consegue mais produzir açúcar, o açúcar cubano é importado.

- Que a ilha Cuba está cada vez mais pobre e isso é devido ao regime “Castrino”.

Em primeiro lugar gostaria de salientar que Cuba está na nona posição dos países produtores de açúcar e que segundo a própria BBC de Londres, o presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva sugeriu as autoridades Cubanas a começarem a produzir álcool de cana de açúcar, para evitar as crises energéticas que a ilha passa devido ao embargo estadunidense.

"Parece que Cuba vai começar a produzir álcool também".
Luiz Inácio Lula da Silva.

Disse o presidente do Brasil a um jornalistas em entrevista na embaixada brasileira em Roma.”

Segundo secretário executivo da Organização Internacional do Açúcar (OIA), Peter Baron, qualificou Cuba de líder mundial nas pesquisas sobre a cana-de-açúcar e seus derivados.
Que equivoco do Jornal Bom Dia Brasil, como um país que tem que importar açúcar é líder mundial em pesquisas sobre esse bem.
Além disso o que deixa a Ilha de Cuba cada vez mais pobre? Cuba está entre os 70 países com maiores índices de desenvolvimento do mundo, segundo organismos da ONU, Cuba está entre os países com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) maior que 0,800. Em 2007 o IDH de Cuba foi 0,838 (51° lugar). Em 2006 Cuba cresceu economicamente 11% segundo a CIA, os dados da CEPAL foram ainda mais otimistas, pois disseram que Cuba cresceu 12,5%. Na ilha cubana 85% das famílias são donas das suas casas, sendo que os demais pagam um simbólico aluguel de um dólar por mês, computado em forma de amortização. Já no Brasil nem preciso ir muito longe, indo apenas visitar alguns pontos da cidade de São Paulo e ver se temos algo parecido, acredito que não. As desigualdades são pobrezas, elas geram pobrezas, mesmo o país assumindo grandes posições econômicas no contexto mundial, sem políticas sociais essas posições não se resumem em muita coisa, isto é o que acontece no Brasil.
O regime cubano necessita sim de manutenção, mas a imprensa brasileira também necessita de manutenção, isso porque temos imprensa livre, o regime cubano precisa de liberdades políticas através da representação direta do povo, e ao mesmo tempo a imprensa brasileira precisa parar de manipular informações e passar a verdadeira informação a população, Cuba apesar do embargo estadunidense, embargo que foi condenado pelas Nações Unidas, tem recebido maciços investimentos da União Européia e da América Latina. Outro tópico que é importante salientar é que Cuba até os anos 90 recebia subsídios por parte da URSS ( União das Republicas Socialistas Sovieticas), quantia em torno de 6 a 7 bilhões de dólares, essa renda foi cortada com a queda da URSS. Hoje Cuba passa por uma crise, devido ao embargo norte americano e não devido a política do regime regente, Cuba foi atingida por desastres naturais, é obvio que a economia do país passa por graves problemas, mas hoje que país do mundo não passa por graves problemas, sendo eles sociais e financeiros? A critica ao regime vem daqueles países que se interessam pelo mercado promissor que Cuba se transformará caso aconteça uma transição do regime político vigente na Ilha, as empresas multinacionais não vêem a hora do regime em Cuba cair, para conseguirem mais milhões nas costas do povo cubano, assim como foi feito com os demais países latinos e suas respectivas populações. Porque os Estados Unidos não aplicam um embargo econômico na China? Na China também não existe liberdades políticas, os Estados Unidos até defenderam a retirada da China da lista de países infratores dos direitos humanos, lógico, a China é um mercado promissor de mais de 1 bilhão de pessoas, sendo 400 milhões consumidores massivos. Infelizmente o que rege esse mundo são os interesses financeiros em primeiro lugar, não os interesses sociais e o bem estar dos povos.