quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A miséria chegou aos ouvidos do Papa, segundo o mesmo a derrota da fome é compromisso ético.


Texto de Diego Viana Do Couto Pitta baseado no artigo Derrota da fome é compromisso ético - Boa Notícia, Novembro de 2008

A realidade que o mundo passa hoje e o fato que existe alimentos para todos, demonstra que a luta contra a fome é acima de tudo um compromisso ético que deve ser assumido pela humanidade, segundo a visão de Bento XVI, papa da Igreja Católica Apostólica Romana.
Foi essa afirmação que o papa fez questão de enviar ao diretor geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, Jacques Diouf, essa mensagem foi enviada devido o Dia Mundial da Alimentação.
O tema escolhido pelo pontífice foi justamente o tema discutido entre os intelectuais e lideres do mundo, a segurança alimentar mundial: Os desafios da mudança climática e bioenergia. Segundo o pontífice, mesmo com todos os problemas relacionados ao meio ambiente, a capacidade mundial em sanar os problemas relacionados a fome extrema é suficiente para suprir as necessidades crescentes a cada ano. A pergunta de Bento XVI é a mesma que milhões de pessoas fazem todos os dias, porque não é possível evitar que tantas pessoas passem por extremo descaso e fome, extrema fome que atinge milhões em todo o mundo. O bispo de Roma cita alguns dos mais variados motivos que na visão dele são os agentes causadores desses variados problemas. Entre esses agentes causadores, na visão de Bento XVI, o consumismo de uma pequena e restrita parcela da população mundial, a burocracia imposta pelos Estados Soberanos e a falta de compromisso ético, associada a ganância do homem. A corrupção na vida publica foi um dos motivos apontados pelo Bispo de Roma como também os investimentos em tecnologias militares e espaciais em vez de resolver os problemas relacionados a sociedade humana, como a fome e as doenças que fazem milhares de pessoas sofrerem e morrerem todos os anos. Os agentes que causam esses problemas, segundo o Papa tem origem em um falso sentimento e mudança de valores éticos associados a sociedade humana, as relações internacionais regentes no mundo de hoje buscam estabelecer interesses dos estados soberanos no mundo e não buscar valorizar o ser humano de uma maneira geral, esquecendo as fronteiras entre países, a natureza de cada pessoa humana foi esquecida pela pequena classe restrita da humanidade e o consumismo exagerado permite que uma pequena parte da população possa ter uma vida digna. Bento XVI ainda afirma que a derrota da fome é compromisso ético, pela promoção da justiça social efetiva que deveria reger a relação entre os povos, para que a sociedade seja mais justa para cada individuo presente na terra. Assim como Bento XVI, todas as pessoas dessa grande tribo chamada humanidade, esperam por ações mais eficazes da igreja Católica Apostólica Romana, dos governos soberanos do mundo e das grande organizações e corporações internacionais.
Todas as pessoas que nascem devem ter uma vida digna, pois a dignidade é um dos mais preciosos dos tesouros da terra.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

No confuso mundo dos *leviatãs surge um novo herdeiro do trono, esse novo herdeiro chama-se China.


*Escrito por Diego Viana Do Couto Pitta, dados como crescimento e algumas informações retiradas do artigo O país do centro no centro da cena da jornalista Cristina R. Durán revista Caros Amigos.

Nas disputas ideológicas que marcam a historia da existência humana, sempre existiram estados que detinham o poder econômico, político, militar submetendo os outros estados aos interesses e ideologias desse estado mais forte.
Com menos de 30 anos do colapso que marcou o fim da URSS ( um herdeiro em potencial ao trono) e estabeleceu uma nova conjuntura internacional, surge das cinzas outro estado reclamando o trono do mundo, esse estado não é nada menos que a República Popular da China.
As transformações da China acontecem a cada instante, infelizmente ainda a distribuição de renda é um grande problema que deve ser superado ao longo do desenvolvimento chinês, com as mudanças que ocorrem na China.
As mudanças estabelecidas ao longo dos anos através das mudanças políticas de Deng Xiaoping foram decisivas para estabelecer a Revolução Cultural, que moldou a China moderna que conhecemos hoje. Eu sou obrigado a admitir, mesmo sendo um grande admirador de Trotsky(lembrando que Deng rejeitou a tese Trotskista de revolução permanente sob a ditadura do proletariado), as mudanças estabelecidas foram decisivas para criar uma China aos moldes dos poderosos países da história da humanidade. Pequim, capital milenar da China é hoje um exemplo de mudanças extraordinárias, em menos de 40 anos a China de Mao Tse Tung se transformou na China moderna, porém com diferenças gritantes quando avaliamos a sociedade chinesa.
Encontramos um oeste atrasado, rural, posso até dizer medieval em comparação ao leste moderno, cheio de arranha-céus, com prédios com a capacidade de 10 mil pessoas, como é o caso do novo prédio da rede estatal TV CHINA.
Muitos especialistas dizem que a China não terá problemas com a crise, pois tem seus cofres abarrotados de dólares, com crescimento de 11,9% em 2007 e 8% em 2009. Até o economista Subramanyan, do Instituto de Economia Internacional, sugeriu em seu artigo para o Financial Times que os Estados Unidos tomem dinheiro emprestado da China para que o setor financeiro estadunidense melhorasse.
Talvez o novo palco das relações mundiais entre estados tenha que lidar com esse poderoso ator China, aspirante a herdeiro do trono, porém esse novo ator tem desafios, lidar com uma população de 1.300 bilhões de pessoas, cuidar das pessoas que passam fome hoje no oeste e vivem no mais completo atraso, não se esquecer que estação espacial em 2020 é coisa superficial, as pessoas são mais importantes.
Espero que o aspirante a herdeiro saiba fazer o dever de casa.



* Leviatã - Leviatã é o livro mais famoso do filósofo inglês Thomas Hobbes, publicado em 1651. O seu título se deve ao monstro bíblico Leviatã. O livro, cujo título por extenso é Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil, trata da estrutura da sociedade organizada.
Hobbes alega serem os humanos egoístas por natureza. Com essa natureza tenderiam a guerrear entre si, todos contra todos (Bellum omnia omnes). Assim, para não exterminarmo-nos uns aos outros será necessário um contrato social que estabeleça a paz, a qual levará os homens a abdicarem da guerra contra outros homens. Mas, egoístas que são, necessitam de um soberano (Leviatã) que puna aqueles que não obedecem ao contrato social.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

RETRATO DA CRISE MUNDIAL


Enviado por katsuhiro nakamura

*Por Luis Nassif

Caleidoscópio da crise. Do céu ao inferno


No setor privado, há consenso sobre dois fatos: setembro registrou um dos melhores desempenhos da história; outubro registrará uma das maiores queda. Ninguém foi poupado, da indústria de alimentos à indústria de base.

Crédito 1
O crédito internacional continua seco como o coração de um cabeção de planilha. O Banco do Brasil precisou emprestar R$ 4 bi às montadoras porque seus bancos - veja bem, banco de multinacionais - não conseguiam mais funding externo.

Crédito - 2
Não há como o setor automobilístico escapar inteiro dessa crise. Antes se tomava financiamento até a 72 meses, a taxas de 0,5% ao mês. O crédito que vier agora será no máximo em 36 meses, com 20% de entrada e juros substancialmente maiores. Imagine um carro de R$ 30 mil. Antes, com prazo de 72 meses, sem entrada, juros de 0,4% ao mês, a prestação saía por R$ 480,00. Agora, com entrada de 20%, juros de 1,2% ao mês e prazo de 36 meses, sairá por uma entrada de R$ 6 mil e uma prestação de R$ 825,00. Leve isso para todas as faixas de preços e se terá uma pequena idéia da pancada.

A Câmara da Crise
Desde o começo da crise alertei, aqui, para a necessidade de uma Câmara da Crise, que juntasse todos os órgãos do governo e do seto9r privado, permitindo o monitoramento da crise e a agilização dos procedimentos burocráticos. Isso porque não adiantava apenas estar na direção correta, mas ter a velocidade correta. Cada dia mais de demora, significa projetos a mais sendo suspendidos e influindo, em processo de cascata, sobre outros projetos. Nada isso ocorreu. O que acontece é que o crédito continua sem chegar na ponta não só do exportador mas do setor agrícola. Tem que sair correndo atrás do prejuízo porque a partir de janeiro o fogo começa a alastrar e aí não haverá cabeça fria para planejar ações.

Preços globais
Uma pequena amostra dos efeitos da crise global sobre investimentos. No setor de compressores, filiais de multinacionais alemãs adquirem da matriz até 80% das suas necessidades. E continuarão assim mesmo com o real desvalorizado. As máquinas alemãs respondem por exportações da ordem de US$ 140 bilhões. Para manter essa vitalidade, a indústria pesada alemã trabalha com margens de 3 a 5% de lucro sobre o faturamento e de 10% sobre o patrimônio líquido. Para ampliar investimentos, necessitará de funding no mínimo igual ou inferior a essa margem. E esse dinheiro, já não mais há.

Construção civil
Nos últimos dias o setor começou uma queima de estoques sem precedentes. Não evitará que muitas empresas comecem a entrar em dificuldades.

Redução dos investimentos
Três fatores não permitem apostar muito no investimento privado no próximo ano. O primeiro, a redução das projeções de crescimento que obriga a revisar todos os planos, inclusive daqueles que apostavam nos gargalos da infra-estrutura. A segunda, é precaução em se manter líquido. A terceira, é que muitas empresas líquidas, do setor financeiro e real, interromperam seus investimentos à espera da temporada de caça. A lógica é que, com a crise, haverá muito concorrente dando sopa a preços de liquidação.

Crise fiscal
No começo do ano baterá mais forte o aperto fiscal de estados e municípios. Será mais um fator forte de curto-circuito político.

*Luis Nassif é um jornalista brasileiro . Foi colunista e membro do conselho editorial da Folha de S. Paulo, escrevendo por muitos anos sobre economia neste jornal. Nas composições que faz dos possíveis cenários econômicos, não deixa de analisar áreas correlatas que também são relevantes na economia, como o sistema de Ciência & Tecnologia.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Crédito está se recuperando gradualmente, diz Meirelles


Crédito está se recuperando gradualmente, diz Meirelles


Presidente do BC destaca medidas, como liberação dos depósitos compulsórios e venda de dólares ao mercado


Ricardo Leopoldo e Célia Froufe - da Agência Estado


SÃO PAULO - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira, 10, que está ocorrendo uma paulatina retomada do crédito em razão das diversas medidas tomadas pelo governo, como a liberação dos depósitos compulsórios à vista e a prazo e a venda de dólares ao mercado, além de ações dos bancos oficiais. "Nós estamos vendo uma gradativa recuperação do crédito, que não atingiu os níveis anteriores à falência do banco Lehman Brothers, mas já está se recuperando gradualmente", afirmou.


Meirelles referia-se a uma séria de ações como a concessão de recursos que estavam alocados no BC relativos a depósitos compulsórios, o que já registrou liberação de R$ 47 bilhões. O BC já manifestou que esse montante tem o potencial de alcançar ate R$ 160 bilhões. Conforme citado por Meirelles na semana passada, o BC já havia liberado até o dia 5 deste mês US$ 14 bilhões para injetar liquidez no mercado, em leilões de dólares com recursos das reservas, com recompra, com garantias de Global Bonds para o comércio exterior e com garantias de contratos de ACC e ACE.

Ainda conforme informado por Meirelles no último dia 6, outros US$ 26 bilhões foram utilizados para reduzir a volatilidade no mercado de câmbio - foram US$ 24,5 bilhões na venda de swap cambial e US$ 1,5 bilhão pela não rolagem de swap reverso.

De acordo com economistas de bancos, empresários já começam a retomar gradualmente os projetos de investimentos, pois avaliam que os efeitos da crise financeira internacional estão passando aos poucos e que, com medidas do governo, tais como a não elevação dos juros pelo BC no último dia 29 de outubro, há uma perspectiva de que a concessão de financiamentos às companhias comece a se normalizar no começo do primeiro trimestre de 2009.


Mundo

A economia mundial vai desacelerar "substancialmente" em 2009. Este foi um dos consensos aos quais chegaram os representantes de aproximadamente 40 bancos centrais do mundo que estão reunidos em São Paulo para o encontro bimestral do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), segundo relatou Meirelles. De acordo com ele, é aguardado, inclusive, que os países industrializados registrem contração do Produto Interno Bruto (PIB).

"Os emergentes continuam a crescer, mas a taxas menores", relatou Meirelles.
Outro consenso ao qual chegou o grupo é de que o mercado melhorou desde o início de outubro, mas ainda está longe da normalidade. Estas conclusões foram feitas durante reuniões que ocorreram na parte da manhã, que tratou de conjuntura, e à tarde, sobre o mercado de câmbio. No início da entrevista, o presidente do BC salientou que a decisão de atitudes anticíclicas depende da situação de cada país. Ele citou como referências a conta corrente, as reservas internacionais e as contas públicas. "Cada país adota medidas convenientes a sua economia", avaliou.

De acordo com ele, o governo tem adotado medidas para preservar o País dos efeitos da crise e, entre outras, citou a liberação dos compulsórios. Meirelles lembrou que a crise começou em países desenvolvidos, mas pelos canais de crédito atingiu a economias emergentes. Ele voltou a dizer que o Brasil possui uma posição relativamente melhor do que alguns outros países e também do que a sua no passado. "Ninguém é imune à crise", disse o presidente do BC.