sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Será que a guerra fria realmente acabou?




Vendo as tensões no cenário europeu, volto a dizer se realmente a batalha de gigantes e os conflitos de auto-afirmação acabaram. A URSS acabou a mais de quinze anos atrás, porem a Rússia age como a União Soviética em termos de diplomacia internacional, com a mão de ferro do estado.
Já os Estados Unidos, agindo com políticas de provocação, parecem querer voltar à época dos conflitos ideológicos. Com as pretensões de colocar mísseis e defesas antiaéreas na Polônia e Republica Tcheca, acredito que é obvio o resultado, uma reposta russa mais enérgica, buscando evitar que sua soberania seja ameaçada.
Ainda encontramos vestígios da guerra fria, lógico que a Rússia deixou seu passado soviético, porem não deixou seu sentimento de auto-afirmação. Temos que levar em consideração que apesar do estadista soviético Mikhail Gorbatchev ter declarado em 1992 o fim da União Soviética, ainda se vê um estado russo ligado ao seu passado histórico, com ações autoritárias no âmbito internacional. Não podemos condenar a ação militar russa na Ossétia do Sul, a Rússia defendia uma região autônoma que foi invadida pela Geórgia no interesse de anexar ao seu território, porem a ofensiva militar russa fora do território que causou o conflito, é sim abominável, não havia essa necessidade. O sentimento soviético stalinista ainda reina na mentalidade dos governantes, o autoritarismo misturado com um sentimento de auto-afirmação. O governante da Geórgia se sente tranqüilo ao achar que pode contar com o interesse americano, mas sabemos que os Estados Unidos estabelecem ações de acordo com seus interesses.
Ao ver uma ofensiva russa, os EUA se sentem na obrigação de manter a ordem, mas será que isso é só para manter a ordem?
A Geórgia é um aliado estratégico, onde se pode instalar uma base americana, ter cooperação de recursos minerais, ninguém sabe, ou finge não saber. A geopolítica esta fazendo seu papel, os jogadores estão alinhando as peças nos tabuleiros, a população que são os piões sofrendo entre os impasses de seus paises.
Pobre população, as massas de manobra nunca tiveram seu lugar ao sol, nesses impasses ideológicos, a população passa fome, morre e ninguém vê isso, pelo menos finge não ver. Sendo na Ossétia Do Sul, no Iraque, no Timor Leste, o papel de uma grande potencia, seja ela econômica ou militar é de auxiliar os menores estados e manter uma ordem internacional evitando conflitos desnecessários. Quem acaba sofrendo não é o representante da nação que tomou uma decisão não pensada em atacar uma província autônoma, quem sofre é a população que acaba pagando por decisões desnecessárias.
Pegar em armas deve ser a ultima opção, quando acaba todo o argumento possível de uma negociação, buscar uma linha mais diplomática em resolver conflitos é a opção mais valida teoricamente, mas isso não é aceito na pratica. Vejo que a Rússia, assim como os Estado Unidos da América não aprenderam que a guerra fria acabou, que não precisamos mais de um sistema bipolar onde as liberdades não são garantidas, devem parar com os conflitos de gladiadores e buscar maneiras efetivas de resolver as doenças, a fome e até vou mais longe, repensar o sistema social.
As crises financeiras e econômicas, a crise dos alimentos, o mundo não precisa de guerras para fechar o esquema com chave de ouro, temos problemas demais, nem ao menos sabemos se nosso futuro é certo nesse planeta. Que a cooperação seja sempre o caminho a ser seguido, não precisamos de mais conflitos e sim de soluções inteligentes. Ainda deixo no ar, será que a guerra fria realmente acabou?

Um comentário:

Anônimo disse...

O PRESIDENTE DA GEORGIA FEZ UM MOVIMENTO ERRADO NO TABULEIRO. ELE ESTÁ CONTANDO COM A CAVALARIA DO BUSH.
SERÁ QUE A OTAN VAI COMPRAR A BRIGA???