quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Uma metrópole periférica no sistema global.



*Escrito por Barbara Lima, aluna do ultimo ano de Relações Internacionais do Centro Universitário Fundação Santo André.

** Fonte - livro de Mariana Fix “São Paulo cidade global” 2007

Desde meados da década de 90 a cidade de São Paulo vem tomando um novo rumo e adotando uma nova perspectiva econômica.
O rápido crescimento do terceiro setor e a intangível expansão do setor financeiro em São Paulo são os protagonistas desta mudança.

A metrópole paulistana concentra hoje 7 sedes dos 10 maiores bancos nacionais, reúne ainda a maioria das matrizes das empresas brasileiras de capital privado, o que de fato evidencia que a cidade participa hoje do processo de mundialização do capitalismo. Todavia este processo vem sendo conduzido, ao que parece, de uma maneira desigual e seletiva entre seus cidadãos. Como anteriormente aconteceu no início da industrialização paulistana, o capitalismo transnacionalizado hoje cresce em São Paulo também de maneira desigual; tendendo a limitar as vantagens de sua expansão à alta classe social.
Desde o início de sua industrialização, desde os barões do café até os dias atuais, o fantasma da periferização e os intermináveis problemas de moradia que a classe trabalhadora enfrenta, acompanham o crescimento da metrópole; e parecem estar longe de deixá-la. Todo o “desenvolvimento” da cidade foi marcado pela indiferença do poder público em relação às condições em que vivem a sociedade de baixa renda.
Quando falo desta sociedade não estou me referindo à pessoas que invadiram territórios e formaram favelas por alternativa, estas pessoas são funcionários das automobilísticas paulistanas, operários de diversas empresas, enfermeiras, médicos e professores da rede pública, pessoas que cumprem diariamente com os seus deveres de cidadãos paulistanos. Diversos professores da Cidade Universitária de São Paulo moram nas favelas que a cercam. Esta descriminação com relação às condições sócio-econômicas está trazendo conseqüências desastrosas para a metrópole, consolidamos esta afirmação quando olhamos para o glorioso Centro Empresarial Nações Unidas: uma arquitetura magnífica, num estilo pós-moderno, agrega escritórios de empresas poderosíssimas como Mastercard, Monsanto, Banco Toyota, Microsoft, entre outras. O CENU (Centro Empresarial Nações Unidas) tornou-se ponto turístico e cartão postal da cidade (principalmente depois a construção da Ponte Água Espraiada). O que não está nos cartões postais nem nos guias turísticos de São Paulo, é que este centro empresarial teve que desapropriar do complexo de favelas do Jardim Edith para iniciar as suas obras. As pessoas que moravam na região foram simplesmente expulsas de suas moradias e não receberam ajuda suficiente (tanto da Prefeitura como das empresas responsáveis pela obra) para encontrarem outra moradia. “Somadas, as unidades produzidas pela Prefeitura e pelos empresários atenderam a menos de 5% dos moradores expulsos [da região]”.*
Enfim, o Centro Empresarial Nações Unidas é um símbolo e uma concretização dos impactos da mundialização do capitalismo em São Paulo. Infelizmente junto com a transformação da economia de São Paulo (de industrial para o terceiro setor), o seu crescimento e a sua inserção em um sistema global; também estão crescendo em igual velocidade e proporção a pobreza e os problemas com moradias.
E aumentando cada vez mais as condições precárias de uma sociedade que é forçada a dar licença para a expansão de uma metrópole que cresce sem desenvolver.

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