
* Texto de Sócrates Magno, consultor em Gestão Pública.
O filosofo alemão Friedrich Nietzsche mencionava em uma de suas máximas filosóficas sobre o ser humano, que o maior risco que um homem corre em sua vida è justamente o de tornar-se aquilo que ele realmente é.
De deparar-se com situações onde dele seja exigida a sua essência, sejam estas circunstâncias boas, como fortuna e poder, ou ruins, como desgraças e acessos de fúria.
Por sua vez, nosso Dom Helder Câmara, em sua sabedoria e engajamento infinitos, dizia que feliz é o homem que consegue perceber o quanto ele precisa mudar para continuar sendo a mesma pessoa. Partindo destas duas vertentes aparentemente sem nenhuma ligação podemos verificar uma grande transversalidade no que diz respeito à evolução do ser humano e da conservação e aprimoramento de seus melhores valores perante si mesmo e a sociedade que os rodeia. Diante destas tônicas, podemos imaginar a busca interna de alguem que procura o autoconhecimento e o melhor convívio social. Se, segundo Nietzsche, o controle social efetivado por regras de conduta, leis e códigos tácitos de conivência forjam um homem de certa maneira oprimido diante de sua verdadeira natureza, Dom Helder aposta na evolução deste individuo seguindo as necessidades de convivência em grupo e de melhoria continua em sua visão de mundo, das coisas, das pessoas e de si próprio. Partindo da premissa de que somos muito mais o que representamos para as pessoas e para a sociedade do que uma concepção de nos mesmo, podemos citar algumas bases para a melhor convivência com o nosso ser e, por conseguinte, interferirmos positivamente na sociedade. Estas bases, por assim dizer, podem ser um bom parâmetro para avaliarmos se estamos crescendo como ser humano e consequentemente ajudando na evolução da sociedade ou se, ao contrario, contribuímos para que o mundo seja tão difícil de compreender e de conviver em grupo. Essencialmente, os nossos Princípios podem ser vistos como o primeiro e grande lastro de sustentação daquilo que representamos.
Neles estão contidos as nossas opiniões, nosso comportamento e as atitudes perante a vida. A perfeita harmonia entre estas formas de comunicação sobre nos mesmos nos revelam pessoas coerentes ou não. Quando demonstramos coerência em nossos princípios, independentemente de juízo de valor, nos tornamos previsíveis e aptos a termos seguidores que sempre saberão como agiremos diante das diversas situações que poderão ocorrer, transmitindo segurança e austeridade em nossas ações.
Em segundo lugar, as nossas Escolhas figuram de maneira decisiva para crescermos, retrocedermos ou ficarmos parados, letargicamente vendo o mundo passar por nós e habitarmos na penumbra cinzenta da falsa segurança e da mediocridade.
Se fizermos escolhas, tomarmos decisões, baseadas em nossos princípios, ao invés de vivermos sob conveniências de conjunturas e de situações em que não interferimos diretamente, jamais galgaremos um aprimoramento moral e nunca deixaremos um legado positivo para os que nos rodeiam. Por ultimo, e muito importante, está o implacável Tempo. Ele è quem vai julgar se nossas escolhas, baseadas em nossos princípios, foram as mais acertadas. O Tempo será o senhor que cobrirà com os louros da vitoria ou que castigará severamente a nós por nossa falta de coerência, coragem e força diante dos diversos dédalos e armadilhas que o mundo nos oferece seguidamente. Se conseguirmos, com a observação a nossa volta, olhando para dentro de nós mesmos, não apenas para o umbigo, ampliar a nossa visão de mundo e nos aproximarmos de valores que façam os nossos princípios mais nobres reluzirem, estaremos no caminho que vai nos conduzir a uma vida muito mais producente e comunitária. Utilizando a sabedoria para fazer as escolhas mais coerentes e lançando mão da coragem necessária para fazê-las de maneira ousada e contundente, certamente o Tempo nos brindará com êxito, respeitabilidade e lucidez em nossas vidas.
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